Relatório de Gestão CMPC e Fale Conosco

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Boas mudanças*

Uma breve análise sobre as mudanças no movimento cultural de Rio Branco

É tão bom ver o quanto o movimento cultural está mais maduro, tanto na administração pública quanto na sociedade civil. A velha máxima de “cada um pensando apenas no seu” é cada vez mais fora de uso. Falas com embasamento, opiniões voltadas para o interesse coletivo, melhor organização de idéias e respeito com as diferenças de pensamento têm sido constantes nas últimas reuniões de Câmaras Temáticas e Fóruns Setoriais do Conselho Municipal de Políticas Culturais. Mas essa mudança no pensar e agir dos envolvidos com as produções culturais – e nesse grupo, é claro que incluímos os desportistas – já trouxe melhorias significativas.

Vocês lembram do tempo em que funcionava a prática do balcão na Fundação Garibaldi Brasil? Para quem não sabe do que se trata o “balcão”, é o seguinte: a FGB utilizava do seu orçamento destinado às despesas da própria Fundação para dar um pequeno auxílio aos produtores culturais que se dirigiam ao presidente. O recurso não era disponibilizado via edital, o que tornava o processo menos transparente.

Nunca foi muito dinheiro, mas era uma mixaria tão disputada... Era comum na rotina dos presidentes quando chegavam nele com os seguintes “choros”: “Presidente, tem como a FGB dar uma ajuda para comprar as passagens para minha banda?”, “Rola aquele jogo de camisas para o meu time?” ou ainda, “Será que a FGB consegue algo para a publicação do meu livro?”.



Naqueles tempos, era bem mais fácil chamar o presidente de tudo – menos de santo, é claro – por ele beneficiar fulano e esquecer de sicrano. E não podemos negar a razão de quem falava isso. Tratava-se de uma prática injusta e antidemocrática, onde a vontade de um dirigia os rumos de boa parte do dinheiro público destinado à cultura.

Calma, calma... Este texto não é para afirmar que aqueles que ocuparam esse cargo na FGB tinham más intenções. Porém, era muita responsabilidade para apenas uma cabeça. Entretanto, como tudo na vida, as políticas culturais também foram amadurecendo. Um dos principais frutos dessa maturidade é a transformação desse recurso de “balcão” para Fundo Municipal de Cultura. Todo mundo (Arte, Esporte e Patrimônio Cultural) entra no bolo em igualdade de condições. Aqueles projetos mais qualificados não precisam passar pela troca de bônus com os empresários da cidade. É dinheiro direto na conta para projetos selecionados pela própria sociedade.

O FMC nasceu com a criação do Sistema Municipal de Cultura. Vejam só, temos aqui outra evolução. Agora a cultura é tratada com a transparência e participação da sociedade. É assim que deve ser. Cultura ainda não tem espaço nas gestões públicas equivalente às obras, à saúde ou à educação, apesar de estar completamente ligada a todas elas. Mas com o SMC, o movimento cultural dá um passo quilométrico rumo ao reconhecimento do seu valor.

Hoje, Rio Branco é a primeira – e talvez, a única – cidade do Brasil com o seu Sistema de Cultura já em funcionamento. Não é pouco, mas não é suficiente. O desafio agora é Plano Municipal de Cultura, onde os rumos das políticas públicas serão definidos para os próximos dez anos. Gestores públicos mudam, mas os atuantes nas áreas de Esporte, Patrimônio Cultural e Artes continuam na batalha e isso é o que eleva o valor do Plano.

Existe uma expressão popular que diz “cair de maduro”. No caso dos participantes do Conselho Municipal de Políticas Culturais, a expressão que mais faria jus seria “subir de maduro”.

*O texto foi publicado originalmente na coluna "CulturaRB" no Página 20

Nenhum comentário: