Relatório de Gestão CMPC e Fale Conosco

sábado, 31 de maio de 2008

Intercâmbio

Ou: Essa é a minha cultura! E a sua?

A tal da interatividade é hoje um dos grandes orgulhos dessa nova era comunicacional. A internet e as novas e infinitas mídias digitais deixam o mundo cada vez menor num universo cada vez mais ilimitado de opções, formas, jeitos e estilos de viver e se comunicar. O intercâmbio, a troca de experiências, as descobertas podem ser transcritas hoje em fios, cabos e redes; em telas, monitores e chips.

Mas todo mundo sabe que ainda não inventaram nada que supere aquele certo calor presencial. Afinal, será que é possível adquirir em alguma cápsula aquele cheiro do camarim do teatro minutos antes de o espetáculo começar? Aquela sensação de tocar um quadro, mesmo bem discreto e escondido, numa exposição que traz um informe grande: “não toque!”? Ou aquele abraço quente do torcedor ao seu lado, vibrando com a vitória?

Ainda há uma arte muito além do maquinário e da tecnologia. Uma cultura que se prende às fronteiras geográficas e não se deixa levar completamente pelas ondas de rádio, TV ou de qualquer outro veículo. Uma cultura que não possibilita, não quer e nem permite sua divulgação e sua visibilidade somente através de um monitor e do virtual cheio de cor, mas sem gosto algum.

Rio Branco quer expor a sua cultura para o Acre, para o Brasil e para onde mais for possível. Artistas, esportistas e produtores culturais reivindicaram mais chances e possibilidade de intercâmbio, de viagens, de troca, de interação. Nada mais que certo e justo diante da quantidade de produções e produtores que temos.

E através do Fundo Municipal de Cultura, criado para atender às demandas dos movimentos culturais, será lançado na próxima semana, um Edital para Intercâmbio, no valor de R$ 40.000,00. O Edital vai atender a projetos de passagens de artistas, esportistas e pesquisadores para participação em exposições, torneios, campeonatos, festivais, encontros, troca de experiência, aperfeiçoamento, etc.

Este será o terceiro Edital do Fundo Municipal de Cultura lançado este ano. Já estão abertos e recebendo projetos os Editais de Formação, no valor de R$ 60.000,00 e de Produção/Circulação, de R$ 45.000,00. Este é apenas um dos resultados de poder contar com a parceria da sociedade civil para definir as políticas e as ações culturais. Participe!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Prefeitura começa obras para lazer e cultura no Segundo Distrito


Numa cerimônia que emocionou as famílias tradicionais do bairro mais antigo de Rio Branco, a Prefeitura lançou um pacote de três obras para o 2º distrito com recursos do Programa de Gestão Participativa (PGP). Os moradores do Bairro 15 vão ganhar um Centro de Formação e Difusão da Cultura Popular, no bairro Amapá será construída uma quadra poliesportiva e o bairro Triângulo Velho terá a praça reformada. A ordem de serviço foi assinada pelo prefeito Raimundo Angelim e as obras iniciam a partir desta sexta-feira.

No total são mais de R$ 600 mil em investimentos do município, com recursos do PGP, ou seja, as obras são escolhas da própria comunidade, que apontou o lazer, a cultura e o esporte como prioridade.“Estamos cumprindo o que foi pactuado com o povo. A comunidade decidiu e nós estamos executando. Isso é respeito com o povo”, falou o prefeito Raimundo Angelim aos vereadores, lideranças comunitárias e famílias tradicionais que participaram da solenidade.

A presidente da Associação de Moradores do Bairro Amapá, Terezinha Santana da Silva, disse que o momento era especial porque a Prefeitura cumpre uma demanda dos moradores de seu bairro, que não tem nenhum local de lazer:“Estou muito feliz em ver que uma escolha nossa, aprovada pela comunidade, está se concretizando. Estamos vivendo no PGP um processo de construção”.O vereador Juracy Nogueira (PP) definiu como inovadora a forma como a Prefeitura está trabalhando nesta gestão, dividindo decisões com a população:“Essas obras vieram da comunidade, que tem espaço garantido nas decisões e isso é uma inovação”, enfatizou.

Antigos moradores do 15, como Luiz Braga e Alberto Margarido emocionaram ao falar sobre as tradições culturais e familiares do bairro. Luiz Braga relembrou a infância e juventude na Rua 16 de outubro, particularmente dos encontros de fim de tarde na casa onde será o centro cultural. O imóvel é um dos mais antigos do Bairro 15; construído em 1940 ainda mantém a arquitetura da época. A Prefeitura vai manter a originalidade da casa, que pertenceu ao casal José e Elvira Pereira, conhecidos na cidade como seu João e dona Neném Sombra.


“Para nós que vimos isso nascer é muito importante ver isso que está acontecendo porque nós, antigos, temos o prazer de manter a tradição e os nossos jovens têm a oportunidade de saber como era a vida aqui antigamente. A Prefeitura foi muito sensível em fazer isso e essa casa é especial pelas pessoas que moraram aqui e pela beleza que sempre chamou atenção”.Os filhos de seu João e dona Neném emocionaram-se com a homenagem. Dona Jaguarina Margarido, que dirige o grupo As Pastorinhas, não conseguiu falar e pediu ao filho Silvio Margarido que se pronunciasse por ela. Emocionado, relembrou dos avós e das brincadeiras de criança.

O presidente da Fundação Garibaldi Brasil, Marcus Vinicius das Neves, frisou que a assinatura da ordem das três obras mostra que a cultura é prioridade na vida desses moradores e representa a sustentabilidade do processo de valorização da cultura. Marcus também destacou que não se trata de obras comuns: é a maior ação da Prefeitura na cultura a partir do PGP.Participaram da solenidade os vereadores Pascal Khalil, Juracy Nogueira, Astério Moreira e Marcio Oliveira.
Sobre as obras

A Quadra do Triângulo Velho terá 1.027 metros quadrados, com piso cimentado para modalidades esportivas, alambrados e iluminação. Vai custar R$ 107.036,71. No entorno da quadra será construído um sombreador com pilares de madeira e cobertura de tábuas, com área de 7,84 metros quadrados.O Centro Cultural do Bairro 15 terá investimento de R$ 208.527,62. O valor será para revitalizar a casa de 130, 74 metros quadrados e construir nos fundos do terreno um galpão de 108,35 metros quadrados.

O centro vai resgatar as tradições culturais como quadrilhas, blocos carnavalescos, marujada, entre outras manifestações. O local também vai oferecer cursos e oficinas, com salas de memória, de cinema. Será uma espécie de museu do bairro mais antigo e tradicional de Rio Branco. No bairro Amapá o investimento da obra da quadra poliesportiva, cujo tamanho é 937 metros quadrados, é de R$ 313.040,76. A construção inclui calçada, alambrado, cobertura metálica e telha ecológica e piso com demarcação das modalidades esportivas. O prazo de conclusão das obras é de três meses.

Maracimoni Oliveira

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Agende-se! Reuniões de junho das Comissões de Arte

dia 2 (segunda-feira)
Comissão Executiva - 09h30min

dia 3 (terça-feira)
Artes Visuais - 09h às 12h
Artes Cênicas – 15h às 18h

dia 4 (quarta-feira)
Literatura – 14h às 17h

dia 5 (quinta-feira)
Agentes Culturais – 14h às 17h

dia 7
Culturas Urbanas – 9h às 12h

dia 10
Música – 15h às 18h

dia 11
Artesanato – 15h às 18h

dia 12
Produtor Cultural – 15h às 18h

dia 14
Audiovisual e Artes Digitais – 09h às 12h

dia 16
Câmara Executiva – 09h30min
Reunião do Colegiado Arte- 16h

dia 24
Arte-educação – 09h às 12h

dia 28
Plenária dos Fóruns Setoriais

Todas as reuniões das Câmaras Temáticas, Comissão Executiva e Colegiado do Colegiado do Fórum Setorial de Arte, acontecerão no Parque Capitão Ciríaco.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Rio Branco vai ganhar novo Centro Cultural

Assinatura de Ordem de Serviço acontece nesta quinta-feira com encontro de grupos da cultura popular

Construir um novo espaço cultural em Rio Branco foi a escolha dos conselheiros representantes da Regional Administrativa I de Rio Branco, para investir R$ 255.000,00 (duzentos e cinqüenta e cinco mil reais) da verba alocada para prioridades dos bairros da referida regional.

A idéia é discutida desde 2006 e, em parceria com a Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil, definiu-se que o centro será uma referência à valorização e à difusão das diversas manifestações da cultura tradicional da região: quadrilhas juninas, blocos carnavalescos, Reisado, Marujada, Jabuti Bumbá, Hip Hop, Capoeira, Pastorinhas, entre outros.

A assinatura da Ordem de Serviço do Centro Cultural acontece nesta quinta-feira (29), às 16hora, na Rua 16 de Outubro, em frente ao Mercado do Bairro Quinze. A solenidade vai contar com presença de autoridades locais, comunidades culturais e encontro de grupos da cultura popular de Rio Branco.

O NOVO ESPAÇO

O novo espaço público cultural de Rio Branco vai se chamar Centro de Formação e Difusão da Cultura Popular e será destinado ao atendimento da demanda dessas manifestações, oferecendo cursos, oficinas, encontros, ensaios, entre outras atividades. Assim, sua estrutura física possuirá um barracão para apresentações, ensaios e pequenos eventos, uma biblioteca, uma sala de leitura e uma sala para assuntos administrativos.


A implementação do centro vai acontecer em um imóvel localizado na Rua 16 de Outubro, no Bairro Quinze. O imóvel não possui escritura pública, configurando-se em uma posse. Além disso, os proprietários estão de acordo com a desapropriação.

A Regional I é formada pelos bairros de Seis de Agosto, Amapá, Cidade Nova, Comara, Loteamento Alzira Cruz, Loteamento Praia do Amapá, Quinze, Taquari, Triângulo Novo e Triangulo Velho. Mais informações pelo telefone: 32242503.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O LEVIATÃ NA NOSSA MESA - Parte 1

Patrimônio Cultural, Espaços De Memória E O Diálogo Entre A Comunidade E As Três Esferas Do Poder Estatal

*Isaac Ronaltti

Como havia mencionado anteriormente, estamos passando por um momento em que pouco a pouco está se configurando um diálogo horizontal entre a comunidade e poder do estado, porém, é preciso fazer com que esse processo passe por constantes críticas e autocríticas, até para não rompermos o processo dialético em formação.

Em momento anterior, usei a historinha de Zeus, Prometeu e o Fogo Sagrado para clarear e brincar com a questão exposta. Na historinha, Zeus foi usado como a representação do poder do estado. Porém, agora, trataremos do Estado a partir da configuração que Thomas Hobbes dera para ele - como a de um monstro: o Leviatã.

Em síntese o que quero falar é que o Estado está tendo que dialogar com a comunidade de forma diferente, não porque ele queira, não porque seja um gesto amistoso de uma linda e quixotesca parceria. Não, não se trata disso. O poder estatal está sendo obrigado a dialogar com a comunidade.

Sobram como possíveis resultados duas situações: a sociedade pode assumir o seu papel neste jogo, ou, o Estado pode culpabilizar a sociedade por possíveis fracassos, tendo argumentos suficientes para justificar que a comunidade não é competente para se auto-gerir.

E ainda, usando isso como forma de legitimação para futuras políticas mantidas a partir do “punho de aço”, tendo como lastro e pano de fundo, a idéia de que todas as vezes que o Estado abriu mão de parcelas do seu poder para ser gerido pela comunidade, pela sociedade civil, esta, mostrou-se incompetente para tal.

Trarei a lume um bom exemplo disso: há um tempo atrás, tentou-se implantar na saúde do Estado do Acre, um sistema comunitário de decisão e execução das ações da saúde, inicialmente tudo se processou muito bem, elogios ao novo modelo de gestão... oba oba... a comunidade decidindo, frases que eram costumeiramente vomitadas, sem ao menos saber, o balaio de gato que estava se formando. Pois bem, passados alguns dias, algumas reuniões depois, as ações do conselho comunitário começaram a parar, pessoas faltando a reuniões - geralmente com a justificativa de que tinha passado por problemas pessoais, ou, devido ao emprego, coisas do tipo.

Não desqualifico as justificativas, no entanto é preciso estar consciente quando se assume uma responsabilidade, e principalmente, quando esta responsabilidade tem no alvo das ações vidas humanas - falta de quorum para decisões mais sérias, ineficiência, o não cumprimento de demandas estabelecidas em reunião, enfim, uma toda sorte de inconvenientes que faziam com que as ações e execuções parassem.

Infelizmente, na saúde, quando as ações estagnam e param, pode ter certeza que os óbitos, os problemas sanitários e as epidemias não seguirão a mesma dinâmica e nem a mesma lógica. Autonomia e apoderamento são fenômenos sociais que exigem responsabilidade individual para com o todo, para com o coletivo.

Gostaria de direcionar a questão mais especificamente aos Espaços de Memória, principalmente devido à maioria destes espaços estarem diretamente ligados a instituições públicas. Creio que este é o exato momento para isso.


Pensar os Espaços de Memória significa pensar a missão e o fim de Centros Culturais, Casas de Memória, Museus, enfim, pensar Espaços de Memória necessita antes de tudo, que façamos um raio-X, identificando para quê servem estes espaços, a quem servem, o que ele passa, e principalmente, qual a relação da memória das populações locais com estes espaços.

Lembro de um artigo que li da Fátima Almeida onde ela comentava a respeito do Museu dos Autonomistas, e identificava, entre outras coisas, o ranço positivista - personalista e enobrecedor da figura de autoridades - nos Espaços de Memória de Rio Branco, em detrimento a Memória de todo povo sofrido que constituiu este Estado: os seringueiros, os índios, nordestinos, árabes, turcos, enfim, tudo isso hoje que entendemos por Acre.

Não estou pregando que a História Positivista não tenha sua importância. Também não estou afirmando que não é interessante a homenagem feita a Guiomard Santos e a todos os líderes autonomistas.

A constituição dos Espaços de Memória requer antes de tudo, antes mesmo da definição de sua missão, um pensar mais aprofundado sobre Teoria da História - não falo isso por ser historiador, também não estou tentando puxar sardinha pro meu lado, até porque, Rio Branco é uma das cidades de maior densidade de números de Historiadores por Km².


Segundo Tamanini e Peixer, “os museus são portadores de heranças elitistas do século passado que o definiram e o elegeram como templo do saber burguês, os museus ainda guardam e preservam formas saudosistas, românticas, e exóticas de narrar à memória social”; estas características foram herdadas devido o surgimento dos museus serem contemporâneos ao auge do Pensamento Positivista na Europa.

Quero fazer um gancho com os debates que realizamos na última oficina no Museu da Borracha: durante a fala de um colega, percebi a preocupação dele em atestar que o Estado em nenhum momento vai abrir mão da dita História Oficial, e foi mais além, dizendo que o Estado não deixaria de usar estes espaços para enobrecer e dar continuidade a cultura personalista de suas autoridades.

Concordo integralmente com o colega, mas faço um adendo, e peço atenção para o seguinte ponto: os Espaços de Memória administrados pelo estado, normalmente que pouco mudarão, com a rara possibilidade de uma mudança forçada pela sociedade civil.

É aí que visiono uma possibilidade interessante, principalmente em relação aos Espaços de Memória idealizados e administrados pela própria sociedade, pois neles, a Memória e a História vem a público explicando o micro, dando visibilidade do micro ao macro, mostrando o José, a Maria, e ainda, possibilitando que a História possa ser contada de vários ângulos, de várias formas, estando teoricamente livre do filtro de informações que é o estado.

Durante a oficina, Ana Jasmina e eu, começamos a pensar hipóteses interessantes a respeito dos Espaços de Memória, por exemplo: muito já se falou, se escreveu e já se comentou a respeito da degradação ambiental causada pelos ditos “paulistas” a partir da década de 70, mas surgem perguntas como: não fariam eles parte de nossa atual sociedade? Os paulistas não possuem memórias, sentimentos e histórias pra contar? O que acontecerá quando um dos muitos sulistas resolverem montar uma Casa de Memória falando a respeito da dificuldade que ele enfrentou ao chegar ao Acre, a dificuldade que ele enfrentou para derrubar a mata e preparar o pasto?

São possibilidades. Não estou justificando, muito menos defendendo ninguém - até porque não sou a favor de propostas de des-envolvimento alucinado como foi visto no Acre, embora Rondônia sofra resultados mais drásticos hoje devido a este processo.

O Leviatã Na Nossa Mesa - Parte 2

Empolga-me a idéia das Casas de Memória da comunidade, elas são organismos estranhos ao Estado no que tange a forma de expressar a memória e a História. Exemplos interessantes em processo de implantação existem, é o caso da Fundação João Eduardo e a Casa de Memória da Família Birroque.

Nestes Espaços, a Memória sublima a História. Sim! Pois a Memória é sentimental, lúdica, romântica - na maioria das vezes só se apresenta na oralidade e nos trejeitos; se distingue da História por não apresentar a armadura do cientificismo, da racionalidade e do método.


Um outro ponto que gostaria de tocar, trata-se da questão da limitação a institucionalidade. É um dos principais problemas enfrentados pela Câmara Temática de Espaços de Memória, devido principalmente sua composição ser em sua maior parte de representantes de organismos submissos ao Poder Público, nada contra isso.

O problema que se averigua é que muitos dos representantes parecem só querer participar das reuniões, se junto disso, vier um ofício do Chefe, do Secretário, do Pajé determinando que tal funcionário deva participar de tal reunião. Isso me fez lembrar de um grande amigo, bom de prosa, morava próximo a casa de minha mãe em Porto Velho.

Durante a ditadura militar, meu vizinho acabou se envolvendo com grupos guerrilheiros do Pará, uma história bem longa, que teve como ponto de partida a publicação de um “despretensioso” pasquim, distribuído por ele nos finais de tarde nos corredores da USP, e alguns anos depois, teve como desfecho, a perda de algumas de suas unhas, cruelmente arrancadas por “cães de guarda” do DOPS.

Uma vez ele brincara comigo, na época estava ingressando na Força Aérea, ele falou: “garoto, tome cuidado, você não sabe o mal que faz para o cérebro passar vários anos falando: sim senhor! Não senhor! Positivo operante senhor!” Agora entendo a preocupação.

A instituição de certa forma mecaniza o funcionário - este último passa a fazer apenas aquilo para que fora programado, estático, mórbido. Chegando ao ponto de ter que emitir uma C.I. para poder fazer as necessidades fisiológicas (isso tudo é claro se trata de uma brincadeira).

Acho que essa barreira da mecanização e da responsabilidade estritamente condicionada ao papel que você desenvolve em uma instituição deve ser vencida. Deve-se romper à lógica do “enquanto for sacristão tratarei apenas de tocar os sinos”.



Mas isso não acontecerá enquanto não formos encorajados a encarar estes Espaços como parte do nosso agir. Se ele não nos representa, não é a projeção de nossa memória, de nossos saberes e fazeres, devemos trabalhar para que estes espaços passem por um processo de crítica e que mudem em algum aspecto, de preferência em direção a vivência da comunidade.

Como anteriormente havia falado, o pensar de uma Teoria Histórica para a constituição de um Espaço de Memória é imprescindível. Temos que ter em mente a que se destina aquele espaço: o objetivo é valorizar as lutas populares? É amplificar a voz dos oprimidos, dos esquecidos, dos negros, das mulheres ou das crianças? É dar vasão aos vários discursos formadores de uma sociedade?

Essas perguntas precisam ser respondidas no ato da constituição do Espaço, até porque, é bom que se tenha em mente que o estado, grosso modo, sabe muito bem a que se destina um Espaço de Memória, no caso, ao engrandecimento personalístico das autoridades e todos os participantes que possuem importância direta na constituição e na manutenção do monopólio do poder exercido pelo estado, e a hierarquia que o mantém.

Estamos aí, o Leviatã sentado conosco. É hora de dialogar, é hora de se proporem alternativas e se desvencilhar de todo aparato burocrático deste monstro chamado estado. Como o faremos?

Através da participação direta, através do assumir de nossas responsabilidades como atores protagonistas de um processo em que a população deixa de ser objeto das políticas de desenvolvimento implantadas como um todo, e passa a ser a responsável pelo planejamento, organização e execução de políticas, criadas e mantidas pela própria população - sem descartar a presença do estado, que surge como mediador e financiador das demandas da comunidade.

Como outrora mencionado, a idéia não é se desfazer, ou, destruir a História Oficial perpassada pelo estado, mas mostrar nas escolas, nos Espaços de Memória que, a História Oficial não é a única versão da história.

Assim, quando um guri chegar ao Palácio Rio Branco, ele ficará sabendo da importância do Barão, do Revolucionário, do Tratado, mas ficará sabendo também do sangue escondido debaixo daquele Palácio cheio de tanta pompa: o sangue do nordestino, do seringueiro, do povo humilde.
Quando chegar também ao Memorial dos Autonomistas, falar-me-ão dos líderes autonomistas, da luta para o reconhecimento do Acre como estado, mas como a Fátima Almeida ponderou genialmente no seu artigo, falar-me-ão também dos interesses das oligarquias locais neste processo.

A idéia definitivamente é de humanizar os espaços, é olhar para o quadro do Jorge Nei, do Mesquitão, do Dantinhas, do Flaviano, e não encará-los como seres supranaturais - pois isto sempre foi usado para definir os Heróis e os Vilões -, visioná-los como seres humanos, com virtudes, com defeitos, com interesses; para que assim, os processos de mudança de uma sociedade não sejam dignificados a uma pessoa, ao herói...

Esta talvez seja minha maior rixa contra os Heróis - por aparentarem ser supranaturais, às vezes passam à idéia de que todo o processo de construção, ou de mudança de uma determinada conjuntura, fora feito por uma única criatura, um gênio. Isso de certa forma apaga a participação da base que deu retaguarda para a mudança, é o que o Bertolt Brecht transpareceu em um dos seus melhores poemas...


Falava algo próximo de: durante as batalhas, lideradas pelos grandes generais, o que seria dos exércitos sem os cozinheiros para alimentá-los? E Carlos Magno, mantinha um gigantesco império, sozinho? A União Soviética, durante o processo de conclusão da segunda guerra e invasão do Bunker alemão, foi orquestrada pelo camarada Stálin, e os 20 milhões de soviéticos mortos em batalha?

Vamos parar de jogar a sujeira para debaixo do tapete. Deixais vir à tona a contradição, pois dela surge à tônica da dialética que embasa a mudança. Se é que disto, algo se pode aproveitar, fica a reflexão.

*Isaac está cadastrado na área de Patrimônio Cultural

domingo, 25 de maio de 2008

A vez dos Turismólogos

Comissão de Trabalho aprova regulamentação de turismólogo

O Projeto de Lei 6906/02, de autoria do Senado Federal, foi aprovado pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, da Câmara dos Deputados. Assim, fica regulamentada a profissão de turismólogo.

O exercício da profissão, de acordo com a proposta, ficará reservado aos bacharéis em curso superior de Turismo ou Hotelaria e aos profissionais não-diplomados que comprovadamente já a desempenhem há pelo menos cinco anos, contados da data de publicação da lei. O diplomado em cursos equivalentes no exterior também poderá exercer a profissão no Brasil, desde que revalide seu diploma.

O relator, deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), defendeu a aprovação do projeto e da emenda de redação adotada pela Comissão de Turismo e Desporto, que suprime termos que poderiam causar problemas de interpretação.

Além disso, Daniel Almeida introduziu outra emenda, a fim de retirar artigo do projeto segundo o qual a profissão será exercida na forma do contrato de trabalho, regido pela CLT, ou como atividade autônoma, conforme legislação vigente. Para o relator, trata-se de um dispositivo restritivo, que impediria o turismólogo de atuar no serviço público, justamente a área por excelência de sua atuação.

Um campo bem vasto

O projeto lista 18 atividades relacionadas à profissão de turismólogo, entre elas: organizar e dirigir estabelecimentos ligados ao turismo; coordenar a classificação de locais de interesse, visando ao adequado aproveitamento dos recursos naturais e culturais; formular propostas para o desenvolvimento do setor nos municípios, regiões e estados da Federação; criar e implantar roteiros; pesquisar informações sobre a demanda turística; e elaborar projetos de marketing na área.

O projeto tramita em regime de prioridade, em caráter conclusivo, e segue para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

FONTE: Jornal Primeira Hora

quarta-feira, 21 de maio de 2008

PELC - ERRATA

A lista divulgada dos candidatos aprovados na primeira etapa do processo de seleção para o Programa Esporte e Lazer na Cidade - PELC continha alguns erros. Clique Aqui e veja a lista já corrigida.

FUNDO MUNICIPAL DE CULTURA

A Prefeitura de Rio Branco, Fundação Garibaldi Brasil e comunidade cultural lançaram na manhã desta quarta-feira (21), em solenidade no Parque Capitão Ciríaco, os primeiros Editais do Fundo Municipal de Cultura, conforme dados a seguir:

A – Edital destinado a projetos de formação
·Recurso previsto: R$ 60.000,00
·Limite de recurso por projeto: R$5.000,00
·Inscrições: 21/05 a 18/06
·Avaliação: 20/06 a 08/07
·Resultado: 09/07
·Prazo de execução: 6 meses

B – Edital destinado a projetos de produção / circulação:
·Recurso previsto: R$45.000,00
·Limite de recurso por projeto: R$5.000,00
·Inscrições: 21/05 a 18/06
·Avaliação: 20/06 a 08/07
·Resultado: 09/07
·Prazo de execução: 6 meses

Obs: Para o próximo mês, já está previsto o lançamento de um Edital destinado a projetos de intercâmbio, com recurso de R$ 40.000,00.

SAIBA MAIS:

O que é o Fundo Municipal de Cultura?
É um instrumento de financiamento das políticas públicas municipais nas áreas de Artes, Esportes e Patrimônio Cultural, funcionando por meio de editais, de forma a democratizar o acesso aos recursos disponíveis, efetivando a transparência no processo de apoio cultural.

Qual o objetivo?

Apoiar as manifestações culturais com base no pluralismo, na diversidade, nas vocações e no potencial de cada comunidade, preferencialmente áreas e segmentos menos estruturados e organizados, bem como o fortalecimento das Câmaras Temáticas.

Quem pode usufruir desse financiamento?
Pessoas inscritas no Cadastro Cultural do Município de Rio Branco, que pode ser feito na Sede da Fundação Garibaldi Brasil ou durante as reuniões do Sistema Municipal de Cultura.

Quem vai avaliar os projetos apresentados aos Editais do Fundo Municipal de Cultura?
A apreciação e aprovação dos projetos apresentados ficam a cargo de uma comissão composta através da deliberação do Colegiado dos Fóruns Setoriais, uma instância do Conselho Municipal de Cultura.

Qual é o recurso anual disponível para o Fundo Municipal de Cultura?
O valor em 2008 é de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), que deve ser disponibilizado por meio de vários editais a serem lançados durante o ano.

Quantos editais ainda serão lançados?
Essa quantidade de editais, bem como o foco de cada um, os seus prazos e valores serão decididos pela sociedade civil de acordo com as demandas apresentadas nas Câmaras Temáticas de Cultura. As deliberações finais acontecem nas reuniões das Plenárias dos Fóruns Setoriais, onde os produtores culturais devem votar e defender suas propostas.

É o mesmo processo da Lei Municipal de Incentivo à Cultura?
O maior diferencial é que a Lei Municipal de Incentivo à Cultura é de renúncia fiscal, uma Lei de mecenato. Os contemplados em editais da Lei Municipal de Incentivo à Cultura não têm acesso direto ao recurso, precisam buscar patrocínio para troca de bônus.

Isso não acontece no Fundo Municipal de Cultura, de natureza contábil especial, que funciona sob as formas de apoio a fundo perdido, mediante Editais específicos. Como conseqüência de uma forma de apoio mais direta, os prazos podem ficar mais curtos, sendo possível agilizar o acesso ao financiamento e a execução dos projetos.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Relação Projetos/Proponentes aprovados na Lei Municipal de Incentivo à Cultura - Edital 2008

ESPORTE

Campeonato de Futebol Society dos Garis de Rio Branco 2008
Antonio Moreira de Carvalho

Programa Recriança - 19 Anos Promovendo Cidadania
Programa Recriança

Handebol em Evolução
Federação Acreana de Handebol

Escolinha de futebol feminino da ASSEMURB
Maria Socorro Siqueira da Silva

Catraiada Histórica 2008
Rubisclei de Abreu Maia

Esporte para Todos
Raimundo Nonato de Oliveira Farias

Escolinha Jóia de Cristo Esporte Clube
Escolinha Jóia de Cristo Esporte Clube

Esporte Cidadão
Sérgio Roberto da C. Matos

1º Campeonato de Futebol de Campo Rural do Quixadá
José Moreira do Nascimento

2ª Copa das Mulheres de Futebol de Salão
Cleison de Queiroz de Melo

Escolinha de Voleibol do Capitão Ciriaco
Joneudes Fernandes de Souza

2ª Copa de Futebol de Areia Sub16
Franciney Silva de Souza

Copa da Amizade
Antonia Teófilo Ribeiro

Campeonato do Bacu de Futebol de Campo
Agostinho Coelho de Souza

Campeonatos tradicionais da Bahia de Futebol Campo
Gleydson Albuquerque de Souza

Esporte de Base na VI Regional
Aeroporto Esporte Clube

Rapel – Mais Perto do Céu
Francisco Laureano da Silva

VI Campeonato Acreano de Atletismo e Futsal para Cegos e de Baixa Visão com a Participação de Deficientes Auditivos e Comunidade
LDVAC

13º Campeonato de Futebol Comunitário do Quixadá
Josely Carneiro Braga

Promovendo Muito Esporte e Lazer aos Funcionários Públicos 2008
Sinfismurb

12 Campeonato Acreano de Ciclismo e Provas Tradicionais 2008.
Federação Acreana de Ciclismo

Campeonato das Regionais de Futebol de Areia
UMAMRB

Judô no Tatami
Delfino Batista da Cunha Filho

Voleibol, um Instrumento der Formação III.
Jânio Teles de Oliveira

Copa das Regionais de Futebol de Areia Infantil
Super Liga Amadora do Acre

Torneio de Incentivo de Vôlei de Praia – 2ª Edição
Larissa Carolina Alves de Melo

Xadrez para Crianças
Federação Acreana de Xadrez

Escolinha de Futebol Renascer
Antonio da Silva Araújo

Esporte, Lazer e Recreação na região do São Francisco.
Klowsbey Viegas Pereira

Campeonato de Futebol do Custódio Freire
João de Deus Gomes de Sá

II Festival Cultural e Esportivo da Paróquia Cristo Libertador
Jânio de Oliveira Lira

Basket Prioriza as Categorias de Base Visando o Futuro
FFAB

V Copa de Areia Professor Elias Mansour Sub-18 e Copa Feminina
Antonialdo Almeida da Silva

I Circuito de Ciclismo da Regional IV. “Pedalando com a Comunidade”
Gezimar Barreto da Silva

Campeonato de Voleibol para Deficientes Auditivos: Em busca da Inclusão Social
Rosa do Vale Israel

Esporte Criança Feliz
Giovane Barboza Chagas

Campeonato da integração de Futebol no Doca Furtado
Adécio de Castro Nogueira

V Campeonato de Futebol de Areia do Bairro Morada do Sol
Francisco Rones Ferreira Souza

Futsal no Calafate
Antonio Amauri Maia

Campeonato de Futebol de Campo Rural do Caipora
Maria Solidade Viana Macedo

Um Dia de Esporte na Escola Rui Azevedo
Conselho Escolar Tarsila Ferreira

I Copa de Futebol Inter-ruas de futebol de salão da cidade nova - aberto
Antonio Ecídio Pinto da Costa

Atleta Estrelinha de Hoje, Cidadão Riobranquense do Amanha
Associação Desportiva Estrelinha

Escolinha de Futebol do Paulão
Escolinha Esporte Clube Paulão

2ª Copas de Futebol Society da Vila Benfica
Edílson Muniz

Escolinha: Força Jovem do Conjunto Esperança I e II
Benedito Paulino da Silva

Ginástica e Saúde Movimenta a Estação II
Keite dos Santos Costa

“Lápis na Mão, Bola no Pé, Sou Cidadão” II Edição
Ronaldo Saturnino de Oliveira


ARTE

Boi Circuladô: oficina ambulante de danças e ritmos brasileiros
Andréa Martini

Planeta Água
Aparecido Gonçalves

Dança de Salão na promoção da saúde do idoso
Organização Social Amor e Vida - SAVI

Coro de Câmara Cantos da Floresta
André Luiz Lopes de Araújo

Coletânea Show: Canta Tião: um canto a natureza
Isaac Ronaltti Sarah da Costa

Oficina de arte através de resíduos industriais
Enock Tavares da Silva

Som da Floresta no Lago do Amapá
Neiva Nara Brana Lins

Mapinguari no parque
Ulisses Sanchez Carpio

Piquinique no front
Cláudia Toledo Lima

A cidade perdida dos meninos peixes
Grupo de Teatro Orákulos

Sonhos em BVA
Maria Iracilda Gomes Cavalcante Bonifácio

Capacitação, reciclagem e intercâmbio teatral
Federação de Teatro do Acre

AC Digital 1
Damián Keller

Cartões Postais da Cidade de Rio Branco e Chico Mendes
Jorge Rivasplata de La Cruz

V Feliz Metal
João Ricardo Oliveira da Costa

Teatro na Praça
Grupo Teatral Pur’arte

Choro na Praça
José Carlos Pereira de Souza

Jovens talentos no mundo das artes
Guadalupe J. Delgadello Torrez

Feira Itinerante de Artesanato
Francisco Silva de Melo

Marlton – Assuntos Quaisqueres
José Santiago de Queiroz Neto

Música como instrumento de relação
Francisca das Chagas de Lima

Escultura no parque
Luiz Carlos Gomes de Souza

Do lar para o bairro
Patrícia Helena Costa Silva


Patrimônio Cultural

Capoeira é liberdade
Austro Alves de Souza

Capoeira Ecológica
Daniel Alves Figueiredo Filho

Capoeira na APAE
Camille de Araújo Russo Rodrigues

As Pastorinhas do 2º Distrito
Guajarina Lima Margarido

Capoeira Recreativa – Ginga 3ª Idade
Associação Recreativa Mameluco

Sacerdotes, Sacerdotisas e Chefes de Terreiro: O Candomblé e a Umbanda, a religião, suas vertentes e a comunidade com um novo olhar
Cernegro

Os grandes mestres do samba
Anderson Martins Gomes

Rosa Mística II: Instrumento Ayahuasqueiro
Centro Espírita Obras de Caridade Nossa Senhora da Rosa Mística

2º Circuito de Quadrilhas Juninas de Rio Branco
Liga Acreana de Quadrilhas Juninas

PROGRAMA ESPORTE E LAZER DA CIDADE - PELC

A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Fundação Garibaldi Brasil, divulga a lista dos candidatos que passaram na primeira fase do Processo Seletivo Simplificado para contratação temporária de profissionais a nível superior, médio e fundamental com experiências de trabalho nas áreas de esporte e lazer destinados ao Programa Esporte e Lazer da Cidade – PELC.

As vagas disponíveis são para os cargos de Coordenador Geral (com licenciatura em Educação Física), Coordenador de Núcleos do PELC (nível médio) e Agentes Sociais do Esporte e do Lazer (nível fundamental). Os salários variam de R$ 450 a R$ 1 mil e os contratos terão duração de 12 meses.

A próxima etapa da seleção consiste em entrevistas individuais que acontecerão no Parque Capitão Ciríaco - Av. Dr Pereira Passos, 225 – Bairro 06 de Agosto, no período de 28 de maio a 02 de junho, das 8h às 12horas e das 14h às 18horas, conforme lista de chamada abaixo:


PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO
FASE: ANÁLISE DE CURRICULUM


RELAÇÃO DOS DIAS E HORÁRIOS DAS ENTREVISTAS
LOCAL: PARQUE CAPITÃO CIRÍACO - 2º DISTRITO

28/05/2008
8h às 12h


Acleison Souza Evangelista
Aldrin Cavalcante da Silva
Alexandre Lima da Silva
Alisson da Silva Santos
Anderson José da Silva
André Lucas Silva da Cunha
Angelita Pereira dos Santos
Antonio Barbosa da Silva
Antonio Nunes Moncada Júnior
Aquiles Aristeu silva dos Santos
Ariady Andrade da Silva
Arlange de Melo Guimarães
Aryane Patrícia Nascimento de Souza
Átila Souza de Oliveira
Austro Alves de Souza
Benaías Pedro Nascimento da Silva
Berenice Paulo da Silva
Bruno Hermani Candido Santana
Carlos Daniel Costa Garcez
Cássia Loureiro Ribeiro Dorneles

28/05/2008
14h às 17:30h


Claudeci Alves de Lima
Cláudio Roberto Souza da Silva
Cleyber Roberto do Nascimento e Silva
Conceição Fiesca de Lima
Cristiane Neres da Silva
Danúbia Aparecida Monteiro Ramirez
Danuzia de Souza Maciel
Davinei Marques Cunha
Delfino Batista Cunha Filho
Deusmar Dutra da Silva
Diego Ávalo de Moraes
Douglas Marques Luiz
Eder Cruz Targa
Edileuda Gomes Cavalcante
Edmilson Pereira da Silva Junior
Edna Soares de Araújo
Eduarda Araújo da Silva
Eilson Abreu de Paiva
Eliana de Oliveira Cavalcante Alves

Elliton Damasceno Batista
Eliudo dos Santos

29/05/2008
8h às 12h

Ernest Wilson Cahú Venâncio
Eugênio Juvenal de Souza
Everaldo da Silva Soares
Everton Silva Leodegário
Evilândia Mota da Silva
Fabiano Almeida da Silva
Francirlei Silva de Souza
Francisco de Assis Diniz Maria
Francisco de Assis Gomes da Silva
Francisco Sidío Araújo da Costa
Gabriela de Mendonça Assaf
Geison Bandeira de Araújo
Gilcimar Costa da Silva
Gilson Robson Pereira da Silva
Glauber José Menezes Lustosa
Gleyson Araújo Figueiredo
Greicyanny Lourenço Maia
Israel Moreno Assem
Ithamar da Silva Souza

29/05/2008
14h às 17:30h


Jaime de Oliveira Silva Junior
James Clay Araújo de Souza
Janeson Nonato Silva Braga
Janilson Ferreira da Silva
Janiton Alves de Lima
Janosson da Silva Carvalho
Jardel de Nazeré dos Santos
Jardson Balica Moteiro
Jardson Borges da Silva
Jarleson da Silva Lima
Jeâmila Maria de Santana Dourado
Jean Carlos Sampaio do Amaral
Jéfferson Ney Freitas Maia
Jirlene Conceição Silva
João Alberto de Farias Lima
Jocirlândia do Ó de Araújo
Jonara Lopes de Almeida
Jonatha dos Santos Alves
Jorge Queiroz da Silva
José Antonio Leite

30/05/2008
8h às 12h

José Carlos Gomes Guimarães
José Carlos Oliveira Cavalcante
José Gomes de Vasconcelos Neto
José Oliveira Marinho de Freitas
Jurandi de Souza Bandeira
Kelle Cristina Silva dos Santos
Kelvin Sanches Santos Lima
Keyla Roberta de Freitas Araújo
Keyssânia Silva Muniz
Larissa Carolina Alves Melo
Léia do Nascimento Pereira
Ligiane Santos Pereira da Silva
Lindauro Bardales D’Avila
Luandson Teles de Oliveira
Luanna Kelly Silva Gadelha
Lucas Holanda Cadena Afonso
Lucinéia de Oliveira Chaves
Lucinete Francisca Martins
Lucineide Maria Martins
Lucio Alves da Silva

30/05/2008
14h às 17:30h


Luis Carlos Souza Meneses
Luiz Carlos Balica Inácio
Luzia Izaias Ribeiro
Magdalo Nogueira Galvão
Marcelo Fontinele Ferreira
Marcio Moura Magalhães
Maria Aparecida de Jesus
Maria Claudia de Góes Ribeiro
Maria Helena Vitório da Silva
Maria Inês Duarte Santiago
Marliel Costa de Souza
Maurício de Souza Azevedo
Mauricio Generoso de Oliveira Neto
Moizes Alencar de Morais
Nelcimar Aureliano da Silva
Nivanor Menezes de Oliveira
Patrícia Alessandra Leite de Souza
Paulo Franco Teles de Oliveira
Paulo Roberto Modesto Cunha
Priscila Tâmara Alves

02/06/2008
8h às 12h


Rafael Vinicius Barreiros Brandão
Raimundo Ferreira dos Santos
Raimundo Nonato Maia dos Santos
Raimundo Nonato Vieira Fiesca
Regiane Souza de Oliveira
Renata Sales Coelho
Roberto Gaiozo Braga
Ronildo do Nascimento da Silva
Ronildo Kesio Gomes Ferreira
Rosimeiry Rodrigues de Lima Maciel
Rosinak Araújo Cavalcante
Rosivaldo Rodrigues Moura
Saionara Tavares de Sousa
Sandro Victor Alves Melo
Saulo Moura Guerra
Sebastiana Augusto da Silva
Shirlandia Alves Rodrigues
Silvano da Silva Soares
Síria Maria de Oliveira Costa
Susie Rodrigues de Matos

02/06/2008
14h às 17:30h


Taís Akegawa Costa
Tatiane Andréia dos Santos Lima
Tereza Cristina Ferreira Fernandes
Tiago Teles de Lima
Ticiana Feitosa Rocha
Vagno da Silva Oliveira
Valcy Marques da Silva
Valdir Oziel dos Santos
Valter Félix de Souza Neto
Vanessa Oliveira de Souza
Vanuzilei Farias Coelho
Verônica Silva de Mesquita Freitas
Walison da Silva Pereira
Wendell Menezes Barbosa
Weverton Oliveira Gomes
Yocanaan de Campos Pereira Neto

sexta-feira, 16 de maio de 2008

A loucura da cultura palpável

Ou: Os loucos também amam. Saiba, sinta e faça!

Quem nunca chamou um ator cultural de louco e justificou como loucura o seu fazer? É que quem faz cultura pode fazer tudo, qualquer coisa ou nada. Livre assim. De forma invejável, criativa e porém arriscada e completamente pirada.

E na Idade Média, o discurso dos loucos não podia circular como o dos outros. Era considerado nulo, palavras sem significância e utilidade. Mas podia acontecer também o contrário, ser considerado um discurso capaz de pronunciar até o futuro, enxergando aquilo que a sabedoria dos outros não podia perceber. Ou era nada ou simbolizava a mais astuciosa das razões.

Aqui, os atores culturais têm voz que não é a do silêncio ou a das inverdades. Eles saltam de grandes altitudes, atravessam cidades, passam 90 minutos brigando para jogar uma bola na rede, se lambuzam de tinta, passam horas decorando falas e dias enfurnados em escavações. Eles inventam cores, passos e cenários, vasculham coisas dos nossos antepassados e fazem disputa até debaixo d´água.

E no seu fazer louco ou não, eles fazem a vida acontecer. E usam toda a esperteza, espírito de disputa e a intimidade com as palavras para brigar pelo que lhe é de direito. Pelo melhor uso do que é público. E são ouvidos como detentores de mágicos poderes e de coragem e percepção para dizer verdades escondidas.


E assim, eles se articularam pela melhoria da qualidade dos seus trabalhos. Os atores culturais de Rio Branco querem mais cursos, seminários, palestras e oficinas para as suas áreas. Eles querem produzir e fazer circular os seus bens culturais. Querem viajar, trocar experiências e dar visibilidade à cultura rio-branquense.

Em busca dos seus objetivos, eles participam de várias e várias e várias reuniões do Sistema Municipal de Cultura e começam a alcançar um lado palpável do processo. Os atores culturais, por sua organização, envolvimento e reivindicação pelo que o fazer cultural de Rio Branco precisa, serão contemplados na próxima semana com novos Editais de Cultura, focados em itens de acordo com a demanda e necessidade do público.

Uma conquista que implica saberes, fazeres, sentimentos e, principalmente, amor pelo seu trabalho. Para fazer bem. Louco, mas racional e consciente. Já dizia um velho ditado popular: “de artista e louco todos nós temos um pouco”. Alguns artistas podem até discordar, dizer que a arte é para todos e que, aliás, loucos todos, mas artistas só alguns.

Controvérsias à parte (que são muito mais que normais), já conquistamos outros territórios desconhecidos durante essa expedição que é implementar um novo Sistema Municipal de Cultura, o que nos deixa loucos para continuar. Participe! A cultura é de todos nós.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Editais serão lançados na próxima semana

Mais qualificação, produção e circulação para movimentos culturais

Os movimentos culturais reivindicaram mais financiamento para a realização de cursos, seminários, workshops com a finalidade de promover a qualificação dos atuantes na área. Reivindicaram ainda, mais possibilidades para a produção e circulação de bens culturais. É nesse sentido que serão lançados os primeiros editais do Fundo Municipal de Cultura. Um vai focar projetos de Formação e outro projetos de Produção e Circulação. O primeiro terá o repasse de R$ 60.000,00, já o segundo de R$ 45.000,00.

Estas necessidades foram expostas como prioridade durante as reuniões das Câmaras Temáticas e dos Fóruns Setoriais do Conselho Municipal de Cultura. Assim, a sociedade civil atuante na construção das políticas públicas culturais definiu quando, como e onde serão aplicados os recursos desse novo instrumento de administração cultural, previsto no Sistema de Cultura de Rio Branco.

Editais enfocam a demanda dos produtores culturais

Estes editais estarão abertos a partir da próxima quarta-feira (21), após solenidade que acontece às 9horas, no Parque Capitão Ciríaco, juntamente com a cerimônia de diplomação dos proponentes dos projetos contemplados este ano na Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Os documentos serão disponibilizados no site da Prefeitura de Rio Branco (http://www.riobranco.ac.gov.br) e neste blog. Os interessados também poderão ter acesso via e-mail ou na sede da Fundação Garibaldi Brasil.

O Fundo Municipal de Cultura atenderá a projetos nas áreas de Arte, Esporte e Patrimônio Cultural. No próximo mês, mais um edital será lançado, contemplando dessa vez projetos de Intercâmbio, com um repasse de R$ 40.000,00. Até o final do ano, mais editais serão lançados de acordo com as definições e demandas dos segmentos culturais nas suas respectivas Câmaras Temáticas. Participe! Mais informações pelos telefones: 32242503; 32240269 ou 32247941.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Cultura, Patrimônio Histórico, Aponderamento Popular e Educação em Quatro Tópicos

*Isaac Ronaltti

Estas linhas tratam especificamente do Setor de Patrimônio Cultural, em especial, os Espaços de Memória. No entanto, acho que os limites desta conversa atravessam as entranhas de todo o Sistema Municipal de Cultura. É portanto, conversa de interesse dos três setores deste sistema - artes, patrimônio cultural e esportes -, principalmente, se entendermos o conceito de cultura como toda a produção humana, todo legado e tudo que se pode legar.

Estes devaneios surgiram de inquietações brotadas no âmago do amigo que vos escreve, durante a última oficina tratando a respeito dos museus e espaços de memória, realizada pelo pessoal maravilhoso lá do Museu da Borracha, através de uma articulação entre a Fundação Elias Mansour e o DEMU - aproveito a oportunidade para parabenizar a Ana Carla, e, a Ana Carla tome para si à responsabilidade de parabenizar em meu nome toda a equipe do Museu da Borracha, que muito se esforçou, desde o início do ano para realizar estas oficinas.

A oficina foi ministrada pela fantástica Rita de Cássia, uma bahiana muito porreta, possuidora de uma energia e humildade maravilhosa. Enquanto a oficina acontecia, a Ana Jasmina - que é outro amor de pessoa - ficava me cutucando, puxando conversa e patati patatá, eu acabava por ser envolvido pela conversa dela, até por se tratar de comentários riquíssimos de uma pessoa que já vivia a Cultura em Rio Branco, antes mesmo de largar minhas brincadeiras de criança, lá nas ruas de Cruzeiro do Sul e nos rios do Juruá, enfim, conversa vai... Conversa vem... Acabei por ficar como o conversador.

A oficina terminou com a apresentação do filme “Ó PAI, Ó” onde Rita de Cássia é uma das personagens principais - o filme é maravilhoso, forte, permeia temáticas como diferenças religiosas, a aceitação do “outro”, cultura popular, misticismo, religiões afro, violência, juventude, drogas, um bojo de informações riquíssimas, mas também não vou contar o filme, fica a dica aí para o pessoal de um filme nacional de ótima qualidade, e de muito conteúdo.

De todas essas sensações brotaram estas linhas, as quais prefiro tratar com os amigos como conversa de bar, despretensiosa, ás vezes boba, mas deixo aí o fio da meada para o debate, para conversa e para futuras cervejadas - até porque, como certa vez escreveu o saudoso Zé Leite, “a besteira é universal e no Acre tem glorioso reinado”. (risos)

Dividi o texto em quatro momentos, intitulados: “O fogo sagrado”, “O leviatã na nossa mesa”, “Utopia realizadora” e “Cultura Popular a partir de uma ótica thoreauniana - o agir da comunidade como desobediência civil” - de maneira geral, os quatro momentos tratam de questões interessantes que observei no corpo do Sistema de Cultura Municipal, hora em implantação, a partir do ponto de vista de um integrante dos Espaços de Memória, enfim, do Patrimônio Cultural como um todo.

*Cadastrado em Patrimônio Cultural

Confira a primeira parte do texto no post logo abaixo:

1 - O Fogo Sagrado - Cultura, Poder e a Participação da Comunidade

*Isaac Ronaltti

Na Grécia antiga, pelo menos na época correspondente aos filósofos pré-socráticos – a preocupação que habitava o pensar do homem permeava o controle da Phisis, ou, a natureza. O universo mitológico guiava, dava subsidio e paltava as ações dos seres humanos.

Até o aparecimento de Sócrates, o pensamento grego não contemplara as questões do domínio do homem pelo homem, e até Políbio, a interpretação dos sistemas políticos vislumbrava na mesquinhez da análise de apenas aquilo que estava ao alcance dos olhos, daquilo que estava dentro dos limites das ilhas e montanhas que formavam a Hélodes.

Em tempos remotos, o surgimento do homem era explicado através da passagem mitológica em que Prometeu rouba o fogo sagrado de Zeus e lança dois bonecos de barro no fogo, semelhante à mitologia judaico-cristã em que Deus cria o homem do barro, só que ao invés de lançá-lo no fogo, assopra-lhe as narinas. O fogo sagrado tinha o poder de dar a vida.

Como retaliação, Zeus pune Prometeu fazendo com que ele fique isolado, com o fígado exposto, tendo que suportar dia a dia urubus atacando o seu órgão, e a cada dia tendo que ver seu órgão se recompor, para que, no dia seguinte, aquele ritual cíclico de sofrimento pudesse continuar.

Mas o amigo me perguntaria: que raios a mitologia grega e o fogo sagrado de Zeus têm a ver com o Sistema Municipal de Cultura? Quais são os pontos convergentes entre os temas que justificam todo esse bla bla blá e essa graforréia juvenil?

Explico: encaremos o fogo como “o poder”. Prometeu ao roubar o fogo sagrado, estava na verdade expropriando poder de Zeus e lançando fragmentos e faíscas de poder na mão de coisas, objetos, que a partir então deixam de ser coisas e objetos e passam a ser homens. Pois bem, agora entendamos que o poder público, em todas suas esferas - municipal, estadual e federal - é a representação do próprio Zeus, aquilo que Hobbes nomeou de Leviatã, do qual falarei mais a frente.

Esboça-se, ao momento, a perspectiva de que a comunidade participe diretamente dos caminhos e da gestão das políticas públicas governamentais, em síntese é o poder do estado se assentando à mesa para junto da comunidade definir o que é prioridade, o que é necessidade, o que precisamos, como queremos fazer.

O exemplo, embora grosseiro, contempla fielmente as noções e práticas de apoderamento por parte da sociedade civil. Contudo, devamos reconhecer que a questão é uma via de mão dupla muito perigosa - aí passo a entender os comentários de pessoas ligadas a Fundação Garibaldi Brasil quando falam que o modelo de gestão do sistema municipal de cultura é inovador, mas em alguns momentos sombrio e perigoso - por dois motivos básicos:

1 - o Sistema Municipal de Cultura é uma densa máquina que não pode ser tocada apenas pelos gestores da Fundação Municipal, principalmente porque o combustível principal que move este sistema em construção é a sociedade civil e suas demandas;

2 - o Sistema se torna um objeto morto e imprestável sem a participação da comunidade, se a comunidade não participa, ele pára, não existe, não funciona.

Não funcionando todas as demandas referentes à execução das políticas públicas voltadas para a Cultura no município param - aqui jaz o perigo da não conscientização da comunidade como protagonista deste processo, aqui podemos observar a importância da participação da comunidade como um todo no processo.

Este trecho serve mais como um alerta a todo o corpo do Setor de Patrimônio Cultural, principalmente depois da paupérrima participação dos representantes das câmaras temáticas na última reunião do Fórum Setorial ocorrida na última segunda feira no auditório da Secretaria Estadual de Educação - quando falo “representantes”, estou me dirigindo não ao conselheiro escolhido para representar cada câmara, estou me referindo a cada participante de câmara.

Às vezes a impressão que tenho é que a representatividade política é tão profunda no "ser" do ser humano que, mesmo participando de um processo no qual todos são partes atuantes, onde todos são representantes, as pessoas continuam com aquela idéia do “elegemos o nosso representante, ele representará nossos interesses”. Esqueça!

Não é preciso ser um gênio para perceber que o modelo de gestão a que se propõe o Sistema Municipal de Cultura de nenhuma forma conseguirá funcionar assim.

Chegamos a uma conclusão básica: o “fogo sagrado”, que é a vida, que é o poder, pode tão simplesmente ser identificado neste processo como sendo a participação da comunidade, o apoderamento da sociedade civil em relação à prática e a execução de políticas públicas governamentais.

Fustel de Coulanges em “A Cidade Antiga”, conta que as fatrias - explicação da origem das famílias para os gregos - eram responsáveis por manter uma chama de fogo em cada casa, além das obrigações básicas com os deuses familiares.

Grande parte dos rituais de passagem se processava de frente ao fogo de cada casa - lá a mulher era obrigada a renegar os deuses de sua família (antepassados) e reverenciar, além de assumir os deuses familiares de seu marido, assim se processava o matrimônio entre eles.

A história do matrimônio serve só como ilustração. A questão que deve ser observada novamente é o “fogo”, mas especificamente a obrigação da manutenção da chama acesa, ou seja, o fogo que para nós pode ser traduzido como a participação da comunidade como um todo, deve sempre estar aceso.

Como? Participando, brigando, interpelando, lançando propostas, e se apoderando do que é de cada um por direito - sua parcela de poder subvencionada, por conveniência, ao monopólio de poder que caracteriza o Estado. Não se trata de proposta anárquica ou revolucionária, muito menos de destruição das instituições que representam o Estado.

Trata-se, tão somente, de uma nova forma de diálogo entre o poder público e a comunidade. Aliás, é a configuração de um diálogo entre a comunidade e o Estado. É a negação de uma representação política solta, não fiscalizada, de cima para baixo.

É a transferência de postos, onde a população deixa de ser apenas o objeto das políticas públicas e passa a ser a responsável pela construção, acompanhamento e execução destas mesmas políticas públicas - por enquanto, a experiência é testada especificamente na Cultura do município. Todos somos responsáveis, pelo sucesso ou pelo fracasso do que está sendo criado e implementado. Por isso, participe!

*Cadastrado na área de Patrimônio Cultural. A segunda parte do texto, será publicada na próxima semana.

domingo, 11 de maio de 2008

Arte de contar histórias

FGB e Sesc investem no incentivo à leitura

“Uma noite fria e de céu estrelado; homens, mulheres e crianças sentados ao redor de uma fogueira, ouvindo e contando histórias. O mistério é das chamas, dos olhares cúmplices de quem divide um segredo, construindo laços de cultura e arte. O mistério é das palavras, dos seus símbolos e significados, fazendo reflexões sobre o mundo, sobre os outros e sobre nós mesmos”.
(Tânia Oliveira)


É no clima deste relato que acontece o “Fogueira de Leitura”, um novo projeto fruto da parceria entre da Fundação Garibaldi Brasil e Sesc para promover o incentivo à leitura. O projeto consiste na realização de encontros entre os amantes da literatura, todas as segundas-feiras, às 16horas, na sala de vídeo do Sesc – Centro.

“Reunir um grupo de pessoas para contar e ouvir histórias é voltar para o nosso lugar junto à fogueira, reencontrar raízes perdidas na velocidade de um mundo cheio de imagens vazias e descartáveis, onde não existem nem fogueiras, nem céu, nem histórias”, explica Tânia Oliveira, coordenadora do Programa de Leitura da FGB.

O primeiro encontro aconteceu durante a programação do livro infantil, e agora ganha continuidade. A intenção é promover um intercâmbio descontraído entre leitores e contadores de história, configurando-se pela troca de experiência, valorização dos contadores e incentivo para as discussões sobre as políticas públicas para o segmento.

No próximo encontro (12), haverá um convidado especial: A atriz e contadora de história Karla Martins vai falar sobre suas experiências e impressões sobre essa arte. “Também levaremos professores, psiquiatras, filósofos, músicos e todos os interessados em contar uma história ou falar sobre o assunto”, diz Tânia.

Ela descreve casos de crianças e adultos que revelam grande satisfação em ter a chance de discutir sobre um livro que lê. “Muitas vezes os leitores não têm com quem falar sobre o que leu. No “Fogueira de Leitura”, essa oportunidade acontece”, afirma.

“Contar é reviver”

A estratégia utilizada para atrair participantes é apresentar algo novo a cada reunião, numa programação desenvolvida em conjunto entre as instituições que investem no segmento incentivando sua prática, estudo e pesquisa.

Derivaldo Albuquerque (Sesc) e Tânia Oliveira (FGB)

“A nossa história é baseada na história oral, na narrativa. É uma prática estabelece uma relação afetiva de sentar, contar e ouvir histórias olhando no olho, sentindo o calor humano que se perdeu por causa da internet. A prática da contação é sempre reviver”, explica Derivaldo Albuquerque, coordenador do Programa de Leitura do Sesc.

Na opinião dele, é preciso trabalhar o amor pela literatura, a valorização do contador e a reeducação dos sentidos. “Não é possível você ser um contador sem antes ser um leitor. É preciso ter um acervo, seja ele em formato de livros ou de lembranças. Além disso, toda casa tem uma Tv, mas nem todas têm um livro. Todos querem contar história, mas nem todos querem ouvir ou ler”, diz.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

... Um filho nosso

Que a gente planeja por um longo tempo e espera ansiosamente por sua vinda. E vem como uma vontade de mudanças, de oferecer atenção e dedicação. E sua vinda se realiza como num sonho (embora aqui e acolá ganhe um indiciozinho de pesadelo), e depois a gente se pega o vendo crescer e aprendendo a andar.

E assim nosso Sistema de Cultura vai caminhando. E a gente o vê indo em frente, superando expectativas e mostrando que é possível o que antes parecia simplesmente uma utopia daquelas de jovens, que enquanto jovens, acreditam em algo por algum tempo e depois vê que é tudo uma grande baboseira meio inútil.

Mas aí a gente resolve investir nas infinitas tentativas, porque dizer que é utopia, é simplesmente medo do insucesso ou de assumir e superar desafios. Aliás, a essa altura do campeonato (ou do espetáculo), o que vamos dizer que é impossível?

Ainda temos que fazer a revisão da Lei Municipal de Incentivo à Cultura; fazer uma discussão sobre a reestruturação da FGB; além de realizar a I Conferência Municipal de Esporte para discutir o Sistema Municipal de Esporte.

E que venham os desafios, pois ser a pioneira no formato de um Sistema de Cultura, bem como na metodologia da sua construção e implementação, e ser também o único município a cumprir integralmente os requisitos do Sistema Nacional de Cultura, já não é nada fácil, mas um bom encorajador. Assim como contar com a participação dos os cidadãos rio-branquenses, todos conselheiros de cultura, a efetivar os princípios da transparência e da auto-gestão que dominam a nova cena da política cultural da cidade.

Realizamos no último sábado a segunda reunião das plenárias dos Fóruns Setoriais, e pela primeira vez na história, os rio-branquenses decidiram como, quando e onde serão aplicados os recursos da cultura. Sabe o que ficou firmado? Que neste mês a FGB deverá lançar dois editais: um para projetos de formação, com R$ 60.000,00 disponível, e outro para projetos de produção e circulação, com R$ 45.000,00 a ser investido. E um direcionado à intercâmbio será lançado no próximo mês, no valor de R$ 40.000,00.

Esse é apenas um dos resultados de todo esse processo que iniciamos em 2005. O movimento cultural quer investimentos em ações ligadas à qualificação profissional; quer produzir e fazer seu trabalho ser difundido nos diversos bairros da cidade; quer passagens para apresentar seus produtos ao restante do país. É isso que o movimento elegeu como maiores prioridades para o momento. É isso, portanto, que será realizado.

Mais que um debate sobre política pública de cultura, este processo tem se configurado como a revelação de novos fazeres e saberes da cidade, promovendo encontros, interação e reflexão entre os mais diversos segmentos artísticos e esportivos de Rio Branco. E, principalmente, incentivando e criando formas para que cada um exerça o seu direito à cidadania cultural. Participe!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Fundação Garibaldi Brasil debate construção de editais de fomento à cultura

O encontro foi realizado no auditório da Armando Nogueira

Viviane Teixeira*

A Fundação Garibaldi Brasil promoveu na manhã deste sábado, 3, uma reunião das plenárias dos Fóruns Setoriais das áreas de arte, patrimônio cultural e esporte. O encontro tem o objetivo de discutir políticas para estas três áreas, além de deliberar e votar as propostas das câmaras temáticas. Também na pauta a elaboração dos três primeiros editais para o Fundo Municipal de Cultura.

De acordo com diretora de cultura da Fundação, Linda Figueiredo, o diferencial na construção dos parâmetros destes editais é a participação das pessoas que atuam em cada segmento. Os membros do Conselho apontaram para três eixos prioritários. São eles a formação, produção/circulação e intercâmbio. Os projetos apresentados neste primeiro momento devem seguir esta linha de atuação.

"A comunidade decide as áreas nas quais os recursos serão investidos", disse a diretora.

Para o cineasta Adalberto Queiroz, as demandas foram apresentadas nas reuniões de cada câmara temática buscando contemplar cada área. "Precisamos de mais qualificação, e de meios de favoráveis de produção", destacou ele.

Na proposta que foi colocada em votação os editais referentes aos projetos de formação e produção/circulação terão o período de inscrição do dia 12 de maio e 10 de junho, com o prazo de seis meses para a execução dos projetos. Já os projetos de intercâmbio terão o prazo de três meses para execução, e as inscrições serão realizadas no período de 1 a 30 de junho.

Marilia Bonfim, representante da câmara temática de arte e educação, destacou a importância da construção de um trabalho integrado entre todas as áreas beneficiadas com o Fundo Municipal de Cultura. "O principal é conseguir integrar os projetos para que os resultados sejam mais eficientes".

*da Agência de Notícias do Acre

sábado, 3 de maio de 2008

“Rio Branco é o único município a cumprir os requisitos do Sistema Nacional de Cultura”


Que a capital acreana é pioneira no formato do seu Sistema de Cultura, bem como na forma de sua construção e implementação já não é novidade. Mas foi na última quarta-feira, em solenidade de assinatura do programa Mais Cultura, que o ministro Gilberto Gil foi apresentado ao modelo inovador de administração cultural de Rio Branco.

Após expor um resumo da história do Sistema, o prefeito Raimundo Angelim explicou algumas características que o tornam inédito. “Todos os cidadãos rio-branquenses são conselheiros, e os princípios da transparência e da auto-gestão dominam a nova cena da política cultural da cidade”, afirmou deixando claro que o Sistema não foi criado pela prefeitura, mas pela sociedade da qual a prefeitura é apenas uma parte. “E é verdade que dá um gosto muito maior fazer as coisas em parceria”, disse.

Além disso, Angelim fez questão de frisar e lembrar ao ministro da cultura a ousadia rio-branquense. “Pelo que sabemos, Rio Branco é o único município a cumprir integralmente os requisitos do Sistema Nacional de Cultura”. E assim, a prefeitura de Rio Branco reconhece e acredita na importância da participação pública na consolidação desse processo. “Falo isso para animá-lo a seguir em frente com o esforço necessário para que cada um dos municípios brasileiros crie o seu próprio caminho, mas não deixe de caminhar”, afirmou Angelim ao ministro da cultura.

A participação rio-branquense no Fórum de Secretários de Cultura das Capitais também foi citada, assim como a confiança na força do Plano Nacional de Cultura que irá orientar as políticas culturais em todo o Brasil, durante os próximos 10 anos. De acordo com o prefeito, a meta principal não é a aprovação deste ou daquele projeto, mas sim, um avanço na discussão de um verdadeiro pacto federativo na Gestão Pública da Cultura com a possibilidade de repasses Fundo a Fundo dentro de um conjunto de ações integradas que supere a fragilidade que a área da Cultura ainda tem em nosso país.

“Quem sabe assim, ao terminar em 2010 sua gestão à frente do Ministério da Cultura, possa estar consolidada o que hoje nos parece a mais inovadora gestão que esse ministério já teve, exatamente porque teve a coragem de mudar procedimentos e estabelecer as ações de longo prazo, o fortalecimento institucional e a participação efetiva da sociedade em seus eixos norteadores”, finalizou Angelim.

Leia do discurso completo do Prefeito Raimundo Angelim, clicando Aqui