Relatório de Gestão CMPC e Fale Conosco

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Conferência Continua Sábado, na Usina de Artes

A I Conferência Municipal de Cultura de Rio Branco continua no próximo sábado (03), a partir das 8horas, na Usina de Comunicação e Artes João Donato.

Para os que tiverem dificuldades no transporte, a Usina de Artes disponibiliza um ônibus em frente à Prefeitura do Centro, com previsão de saída às 7h30. O número de vagas é limitado, portanto os interessados devem ligar para 32240269 e confirmar presença. O ônibus fará o percurso de volta ao final da Conferência.

DEBATE

Entre as várias questões polêmicas do debate, a que se refere à separação de Artes e Esportes foi acirrada. De acordo com o ficou decidido, até o próximo ano, deverá ser realizado um estudo sobre a viabilidade da definição de uma política pública municipal especialmente para o esporte e apresentado durante a II Conferência.

O Turismo também foi foco de uma discussão importante. Os envolvidos no setor defendiam que o segmento deveria virar uma área, igualmente a Artes, Esporte e Patrimônio Cultural. No entanto, a plenária decidiu que Turismo deve continuar sendo um segmento pertencente ao Patrimônio.

A plenária optou também por uma inovação para o formato de Conselho Cultural. O órgão que institucionaliza e organiza a relação entre a administração municipal e a sociedade civil não terá um presidente em sua composição.

Estas são apenas algumas das questões que ficaram em dissenso durante o Fórum Preparatório e que tiveram votação definitiva durante a conferência. A conclusão do documento deve acontecer no sábado, contando com a presença e participação da sociedade civil e poder público.

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Clique AQUI para ler uma matéria mais detalhada sobre a Conferência.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

IMPORTANTE !!

CONFERÊNCIA CONTINUA NO SÁBADO

A I Conferência Municipal de Cultura foi prorrogada por mais um dia para apresentação e votação de novos destaques que, de acordo com a plenária e comissão organizadora, são fundamentais para implantação do Sistema Municipal de Cultura.

A continuação acontece neste sábado (03), às 8horas, em local ainda a ser divulgado.

Em breve, mais informações.

Dúvidas: 32240269 / 32242503 / 32247941.

domingo, 28 de outubro de 2007

... cores, modos e estilos ...

Artistas se manifestam durante Conferência

Se a conferência é de cultura, é cultura que não pode faltar.

Bem assim mostraram vários artistas durante a I Conferência de Cultura de Rio Branco.

A discussão é em torno da Lei que cria o Sistema Municipal de Cultura. Seus artigos, incisos e parágrafos que detalham os quatro novos mecanismos de gestão cultural: Fundo municipal de cultura, cadastro cultural, conselho municipal de cultura e Lei de Patrimônio Cultural.

Na plenária, músicos, produtores, esportistas, poetas, ayahuasqueiros, rappers, turismólogos, artistas, acadêmicos, professores, e demais preocupados com a administração cultural no município. Portanto, inspiração e idéias não faltam.

Durante os debates, o desenhista Daniel Cabral fez charges e caricaturas ilustrando algumas das questões mais polêmicas, como a separação e criação de sistemas distintos para as áreas de Esporte e Artes.

Enquanto isso, outros artistas plásticos fizeram uma obra coletiva, cujo tema é simplesmente a ‘Conferência’, com suas amplitudes e diversidades.

Pintura a dedo, grafite, pincéis... Várias formas e estilos deram cor ao debate político pelos olhares de Ulisses Sanchez, Babu, Darci Seles, entre outros.

Obras de Rivasplata e Valdenízio também foram expostas, assim como os quadros produzidos durante o II Concurso de Pintura As Cores da Cidade.

Os artesãos marcaram presença expondo e vendendo colares, brincos, pulseiras e vários outros produtos que representam parte do artesanato local.

Além disso, nos intervalos dos debates; durante o horário de almoço e/ou no encerramento e reinicio dos trabalhos, a plenária teve a oportunidade de assistir a trechos de espetáculos como “O Circo da Praça”, do Rufino e Sua Turma; O Homem que Vendeu sua Alma ao Diabo e Quase Perdeu o seu Amor”, do grupo De Olho na Coisa; “Manuela e o Boto”, do Vivarte, entre outros.

Os presentes assistiram também à exibição de vídeos acreanos, como “A Peleja de Hélio Melo”, “As Viúvas do Carvão”, além de um compacto do show “Romance Natural”, de Maués Melo, um artista acreano da década de 80.

Também teve apresentação do repentista Cícero Farias; “As Patorinhas” mostraram sua dança; e outros agentes culturais contaram histórias com apresentações musicais.


E assim, artistas defendem e expõem suas idéias e opiniões, seja em plenária durante os debates e votações, seja durante suas manifestações culturais, com cor, telas, figurinos, pincéis... E todas as armas que sabem bem manusear.
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Em breve: mais charges, mais fotos e mais informações sobre os resultados da I Conferência Municipal de Cultura e a sua continuação.
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Clique nas fotos para vê-las ampliadas
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Clique AQUI para ler o artigo da Coluna.RB de sexta-feira (26), no Jornal Pág20.
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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Por onde andará... Garibaldi Brasil?

(E viva a diferença!)

Marcos Vinícius*

Vejo as cicatrizes das árvores que vivem neste parque-seringal, misto de sede da Fundação, e quase vejo (porque a imaginação não tem limites) a mão que um dia riscou esses troncos imprimindo na madeira marcas da cultura de um povo. Um povo que um dia aprendeu, mas está se esquecendo, que está na entrecasca o leite que alimenta e faz crescer. Por isso, não se pode cortar raso demais porque não há leite na casca, nem fundo demais porque senão se mata a arvore e não podemos matar quem nos alimenta.

Isso me faz pensar em como as coisas mudaram nesse seringal-cidade, misto de capital do Acre, e quase vejo (porque o conhecimento é por natureza ilimitado) as mentes e corações que um dia acreditaram que era possível mudar o mundo com músicas e idéias. Idéias hoje tão confusas em uma pós-modernidade cada vez mais virtual, que parece se esquecer que está na entrecasca do mundo e dos tempos a diversidade que enriquece e faz crescer. Por isso, não podemos mais permanecer na superfície dos acontecimentos, porque esse é o reino de Sansara (ilusão), nem podemos tentar chegar rápido demais ao âmago das situações porque o caminho é longo e tortuoso, como varadouro na mata, e pode faltar fôlego em meio de caminho.

Nesses dias que antecedem a Conferência Municipal de Cultura me sinto como o céu e o chão do Acre no inverno amazônico, encharcados, pesados, repletos dessa bendita água que afasta de vez o fogo, a fumaça e tudo o mais que nos destrói (incluindo os automóveis dos ramais que ainda não conhecem o asfalto). Densidade líquida que apaga o pó e cria o barro. O mesmo barro que um dia foi modelado em figura de homem, produto de uma mão igual àquela que riscou troncos de árvores e imprimiu a marca de uma cultura.

E compreendo, finalmente, que não importa o resultado da Conferência. Não é importante descobrir se o esporte e o turismo vão permanecer na Fundação Garibaldi Brasil, não é importante acordar que a Câmara Temática de Patrimônio Cultural vai ter essa ou aquela composição, como não é importante definir se o Cadastro será apenas um mapa ou uma efetiva forma de controle do sistema. O que interessa de verdade é que durante algum tempo (pra gente na Fundação um longo e denso tempo, ainda que breve no calendário) nos encontramos e discutimos de forma desarmada (umas vezes mais, outras menos) sobre o que acreditamos e com que sonhamos.

Diferentes sim! Há que se reconhecer que somos mesmo muito diferentes. Mas esses dias de intensas discussões, polêmicas e opiniões divergentes deixaram claro que ainda compartilhamos o mesmo objetivo: ser a mão que modela o barro, transmutando o natural em cultural, ou a que risca a árvore até alcançar a entrecasca para fazer escorrer o leite que alimenta e faz crescer uma sociedade antiga, que transmuta a floresta em cidade, sem perder de vista o que foi e o que quer ser.

Vejo as pessoas que trabalham na Fundação correndo pra um lado e por outro e me pergunto: o que diria Garibaldi Brasil, do alto de sua sábia ironia, disso tudo? E quase escuto (porque a percepção é uma coisa infinitamente estranha) aquela voz risonha me soprando aos ouvidos: “Relaxa! Não interessa o resultado. Importante é o processo, as diferenças e o encontro! Quem sabe ainda não seja possível mesmo mudarmos o mundo com músicas e idéias?!!”

Boa Conferência a todos!!!

*Diretor-presidente da FGB

E Quanto ao Patrimônio Cultural...

Maria Leudes Souza, Aretuza Bandeira de Araújo e Silmara Lima Alves*

“Cada História deve ser completa em si mesma, ou seja, uma parte não é condição para outra. Além disso, o pensamento deve ser um passeio tortuoso pela cidade, como tortuoso são os caminhos que se originam em varadouros. O Centro da cidade e o seringal são exatamente o oposto. Um é compreendido como início da cidade, sua parte mais importante, como se no seringal fosse a sede. Já no seringal, o centro é a periferia, o mais distante, o que ainda nem começou”. (Marcos Vinicius).


Qual a importância de começar, na sede do seringal, o centro da cidade? Ou, na periferia da cidade, o centro do seringal? Não tem importância nenhuma, pois o que acontece tanto no centro como na periferia, são manifestações culturais, onde os cidadãos têm o mesmo direito a se manifestar. Cada um com sua peculiaridade, uns mais sofisticados, outros mais acanhados, mas todos de uma grandeza sem tamanho. O Patrimônio Cultural do Acre é riquíssimo em suas várias manifestações, seja centro ou periferia.

Mas o que isso tem a ver com Patrimônio Cultural? Podemos dizer que é ele próprio, apresentando-se em suas mais diversas facetas. Vem vestido de uma grande imponência em seus prédios e monumentos (patrimônio material). Porém, mais importante ainda, é o que vem trajado de uma simplicidade, mas de uma riqueza sem tamanho (patrimônio imaterial). Nossos fazeres e saberes, costumes, gestos e falas, características de uma comunidade aprendidos no dia a dia, na convivência com os grandes mestres, os mais antigos.

Algumas perguntas ficam martelando em nossas cabeças: o que é Patrimônio Cultural? Como fazer para que as pessoas se apropriem do que é seu realmente? São inquietudes que não só as Fundações de Cultura nutrem, são inquietações nacionais. No entanto, não conseguimos o grande ponto da questão, que é o acesso daqueles que continuam nos Seringais, ou seja, nas “periferias”, para que eles se identifiquem e se reconheçam como sujeito atuante desse patrimônio.

A Fundação de Cultura Garibaldi Brasil deu um passo à frente com a I Conferência de Políticas Públicas para a Cultura, porque a partir daí, começamos a colocar em prática o que já sabíamos: que é impossível fazer com que a comunidade se aproprie de uma manifestação, seja ela artística, esportiva, ambiental ou até mesmo o reconhecimento das identidades culturais das comunidades que fazem parte do Patrimônio Cultural de Rio Branco, que por muitos anos não se sentiam, ou não se viam dentro desse processo.

Mas ela foi além quando trouxe para dentro da própria Fundação, os mais diversos segmentos da área cultural para serem discutidos. Cumprindo assim, o que é proposto no mundo inteiro, onde a agenda 21 tem como “objetivo base o comprometimento com os direitos humanos, a diversidade cultural, a sustentabilidade, a democracia participativa e a criação de condições para a paz”.

Mas sabemos que o passo mais importante nesse processo de construção para a I Conferência Municipal de Cultura é a participação daqueles que nunca estiveram representados, os movimentos sociais, associação das mulheres do Bairro Seis de Agosto, Zona Rural, a comunidade das mais diversas representações religiosas... Isso sim, foi o primeiro e grande passo para a democratização da manifestações culturais.

Mas falando em Patrimônio Cultural, não podemos deixar de ressaltar a importância da preservação e manutenção dos espaços, salas e museus que salvaguardam parte das memórias da comunidade rio-branquense e as suas diversas representações. Desse modo, faz-se necessária a criação e implementação de uma Lei Municipal de Patrimônio Cultural, que visa a reforçar e garantir a proteção e a preservação dos bens culturais, pois se não sabemos o que é patrimônio cultural como podemos querer proteger aquilo que não conseguimos perceber?

Patrimônio Cultural é o teatro, mas é também um figurino específico para a montagem da mesma que nele é apresentado; é um instrumento de música, mas também é a forma como ele é tocado; é a farinha, mas também é a forma como ela é feita. Enfim, o que importa não é o que é mais sofisticado e o que é menos sofisticado, o importante é a grandeza com que elas se manifestam e representam para aqueles que a fazem.

A diversidade cultural de um povo é tão significante que outros se deslocam de origem para conhecê-lo, vêm em busca de verem manifestações culturais, monumentos, fazeres e saberes que não encontram em outro lugar. O mesmo se pode dizer do turismo cultural, que hoje é um dos maiores segmentos deste setor, e que continuamente vem crescendo graças ao processo de globalização, que aproxima cada vez mais povos e nações. No entanto, a localidade para ter um bom conceito de receptividade precisa agradar primeiro aqueles que nela habitam e fortalecê-la, para que assim, sejam agradáveis aos visitantes.

Portanto, se o povo sabe e reconhece o seu Patrimônio Cultural, conseguirá transmitir isso de alguma forma para aqueles que o vêm conhecer, gerando com isso, diversos benefícios para a população, dentre eles: aumento da consciência de preservar o bem patrimonial, resgate da cultura local, maior intercambio cultural, geração de emprego e renda, melhoria da infra-estrutura, entre outros.

*Diretora da FGB, Coordenadora de Patrimônio Histórico da FGB e Coordenadora de Turismo FGB (respectivamente).

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Para Refletir Durante a Conferência Municipal de Cultura

Nina Porto*

“Posso ser o que você é, sem deixar de ser quem sou,
sem perder minha identidade, cultura e peculiaridades.”
(Marcos Terena)

O Brasil construiu seu alicerce econômico calcado no trabalho escravo, e tem uma dívida com os descendentes de africanos; depois da abolição houve um distanciamento social, a suposta abolição de 1888 fez com que negros (as) ascendessem das condições de bens semoventes para sub-cidadãos, cidadãos de segunda classe, isso porque o estado brasileiro não garantiu condições mínimas para que ex-trabalhadores escravos conquistassem sua cidadania plena, aderindo ao mercado de trabalho e obtendo acesso a terra, a educação, a alimentação. Pelo contrário o estado contribuiu para a exclusão racial incentivando a imigração européia e garantindo a estes direitos e privilégios de ser mão de obra. A partir de então, em detrimento de negros (as) a quem restara o desemprego e miséria. Entender os reflexos desses processos nos dias atuais se faz necessário para situarmos a sociedade em que vivemos.

No Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA os autos declarados negros compõem 49,6% da população, houve um crescimento de cinco dígitos, feito do bem sucedido trabalho das entidades de movimento negro, pois a forma mais violenta de racismo foi de invisíbilisar a identidade do negro através de atos discriminatórios como a supervalorização da cultura eurocêntrica, praticada em todo território brasileiro, dando menor importância e não enxergando as especificidades culturais da etnia negra, e fortalecendo principalmente junto ao mercado publicitário a estética branca como se vivêssemos em um país hegemonicamente nórdico.

Enfim, mudar esta realidade requer transformações sociais e culturais profundas numa sociedade que precisa abrir espaços e acolher de vez a diversidade. Para tanto entendo como mulher descendente de africanos e fazendo parte atuante desta diversidade, penso ser necessário trabalhar profundamente a recuperação da identidade cultural e de etnicidade historicamente negada ao povo descendente de africanos, o que fundamentalmente contribui para a baixa estima refletida na falta de perspectiva de vida. Para trabalhar com eficácia o problema em questão, é preciso conscientização assim revitalizando com profissionalização e cidadania só então atacaremos o problema da exclusão social.

Assim, junto com esta reflexão propomos projetos de capacitação e formação de jovens negros e não negros ambos comprometidos com a sociedade para a construção de um país com justiça e igualdade racial e social; através de oficinas de cultura hip-hop, movimentos de periferia, com características próprias, como: linguagem, dança, tranças - afros, escritas, grifes, utilizando pedagogicamente para o resgate da cidadania, propiciando também geração de renda e auto estima, o que conceituamos hoje de étnosustentabilidade, e então formaremos cidadãos conscientes e mais críticos, e que passem realmente a protagonizar sua própria história, e ao mesmo tempo fazer parte ativa da sociedade em que vivem.

A Fala Pode Criar A Paz, Assim Como Pode Destruí-La
(AMPATÉ - BÂ, LINGUÍSTA AFRICANO)

*Militante da Cernegro / Ac

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Problematizações Patrimoniais

Elane Cristine*

O desafio cultural acontece em todos os segmentos, sem exceções. Para me expressar fiz um recorte da transcrição de uma das fitas usadas em um encontro de cultura, indagando sobre a questão do patrimônio cultural no Acre.

“...As angústias que são da população do Acre são as angústias do Departamento do Patrimônio Histórico e Cultural do Acre, são as angústias de todos os Departamentos Nacionais e são as angústias do IPHAN. Sonia Rabelo disse que as coisas mais difíceis de se trabalhar é o animal e a cultura.

O Problema do Patrimônio é que a gente acaba trabalhando como psicólogo, sociólogo, arquiteto e tudo ao mesmo tempo. Nas questões relacionadas ao Acre, a gente não pode chegar numa comunidade e falar assim: ‘pô, aquilo era maravilhoso que vocês faziam e vocês têm que voltar a fazer de novo’.

A arte não pode ser oficial, a gente não pode chegar e falar que eles vão ter que fazer isso. A gente não pode induzir ninguém. Outra coisa, a gente vai induzir? Não vai ser necessário, porque não vai ser de boa vontade, tem que partir porque é natural da comunidade. A cavalhada, por exemplo, depois de 35 anos voltou a existir na cidade de Sena Madureira, em 1999.

Tem que falar das revistas, falar de tentar buscar a revitalização principalmente da criação/formalização da questão do Acre, com sírios-libaneses, seringueiros, negros, ribeirinhos, indígenas e outros. Você quer abrir um Museu, legal vai deixar lá?! Como é que você vai capacitar as pessoas? Como vai manter?

Para nós pesquisadores da área cultural, o importante é saber como foi, como está e como vocês querem que esteja daqui pra frente, pra que a gente tenha um Departamento que sirva de banco de dados, para que daqui a alguns anos a gente tenha o maior número de manifestações pelo menos catalogadas...”.

(Durante mesa redonda “Patrimônio Material e Imaterial. Convenção sobre a proteção e a promoção da diversidade das expressões culturais”, em 27 de julho de 2007, durante Encontro Regional - A Cultura Popular no Imaginário Amazônico. Porto Velho – RO)

*Pesquisadora e cantora

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Conferência

Laura S. Barcellos*

A atual gestão cultural do município nos ofereceu o desafio de levantar informações sobre as manifestações que desenham a cultura local, nos dando a chance de expor os problemas enfrentados, nossos anseios e as expectativas.

Durante o processo, estive junto, discutindo e refletindo sobre temas pertinentes às áreas envolvidas. Participei ativamente das múltiplas ações que deram corpo a este processo. Em determinadas etapas, mergulhei em um trabalho de construção de um diagnóstico sobre os principais problemas enfrentados e pude contribuir mostrando alguns entraves que dificultam os nossos afazeres. Tive muitas experiências significativas na formulação de idéias e propostas que devem nortear a gestão cultural de Rio Branco.

Eu e outras pessoas aprendemos muito sobre instrumentos de gestão cultural, sobre políticas públicas culturais para o município, que atualmente conta com a Lei de Incentivo à Cultura.

Desejo continuar nesta busca de novos caminhos para a reestruturação dessas políticas. Aprendi como os envolvidos nos afazeres culturais podem apresentar possibilidades às necessidades, em consonância com a realidade e com vontade de aprender e crescer e mergulhar nesse universo.

Contribui para as tomadas de decisões durante os trabalhos em grupo, acompanhei as novas propostas sendo colocadas e vi o documento ser organizado de forma a permear as opiniões e falas, sem perder a essência do seu sentido.

Agradeço a todos, onde cresci, aprendi a me expressar, perdi a timidez de falar, onde as pessoas se tornaram minhas amigas, conheci gente inteligente, fiz contato com todos. Bem, sobre críticas nem uma, tudo estava perfeito, foi ótimo, valeu a pena!

*Mãe Laura – Ilê Axé Sessilé – Casa de Candomblé Oxalá

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Palavras (apenas)

Ou: Já começaram a contagem regressiva?

Serei cortante como a lâmina da língua...”, assim diz Não Há, uma canção da banda acreana Los Porongas, um dos grupos que se apresenta durante o Festival Varadouro, que começa logo mais, na tarde desta sexta-feira, e que está movimentando a ‘cena roquenrol’ do Acre. Por isso, inicio este artigo num clima mais ‘musical’. O trecho fala sobre o poder da palavra e a arma que cada um carrega: a língua, a fala.

E que as palavras têm poder não é novidade pra ninguém. Mas a palavra em si não tem muito valor. O valor dela está na sua contextualização, na forma como é colocada e utilizada. Assim, fazer valer esse poder significa saber usá-las. E saber manusear essa arma não é tão simples quanto possa parecer. Implica em reflexão, organização de idéias e, acima de tudo, em sinceridade

Estamos a exatamente uma semana do primeiro dia da I Conferência Municipal de Cultura – na verdade, todos sabem que essa conferência já começou faz tempo, mais especificamente, nos fóruns de 2005. Porém, é impossível esconder a expectativa de se estar prestes a viver um momento novo. Aos poucos, a sociedade civil envia artigos para o blog Cultura.RB, tomando e firmando seus posicionamentos e expressando opiniões. Mais pessoas visitam o site, comentam e interagem.

E essa é a grande chave para a efetivação desse processo que se baseia completamente na co-gestão - na participação civil na administração pública. É imprescindível que a sociedade se exponha e divida com a Fundação Garibaldi Brasil a responsabilidade para com a cultura no município. Portanto, conta-se com a presença, participação e envolvimento dos artistas, esportistas, historiadores, turismólogos, professores, agentes e produtores culturais, também de jornalistas, estudantes, consumidores, etc.

A contagem regressiva já começou. Afiem as línguas, mas afiem com bom-senso que a cultura acreana merece. Revejam as anotações. Reforcem os seus argumentos e chamem quem puder para o debate.

Se vamos finalizar ou recomeçar um novo processo, é difícil definir, assim como será difícil desfazer o quanto já se caminhou com essa ação na área cultural do município. Portanto, continuemos o debate e vamos à Conferência!

Agenda

A I Conferência Municipal de Cultura acontece nos dias 26 e 27 deste mês, a partir das 8horas, no auditório da Secretaria Estadual de Educação. Além dos debates, serão feitas pequenas mostras da cultura de Rio Branco através de esquetes teatrais, exibição de vídeo, exposição de artes plásticas, etc. Mais informações: 32242503 / 32247941 / 32240269.

e-mail para: fundacaogaribaldibrasil@gmail.com

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A Cultura, a Conferência, a Administração Pública - Parte 1

Alcinete Damasceno, Cecé*

Acompanhei, nos últimos dois anos, o processo de construção de uma proposta de Cultura para o município de Rio Branco desencadeado pela Fundação Garibaldi Brasil. Não participei de todas as discussões que foram realizados no decorrer do período, no entanto, em conversas individuais com artistas e fazedores de cultura da cidade, percebi neles uma satisfação em poder discutir, sugerir e, principalmente, poder manifestar opiniões sobre o que seria bom para as comunidades, carentes de atividades culturais.

Essas atividades deveriam contribuir para o desenvolvimento intelectual, artístico, social, filosófico da sociedade, apresentando preocupações com o meio ambiente, com o patrimônio coletivo e, naturalmente, oportunizando individualmente a descoberta e a manifestação da verve artística, tão presente no nosso povo.

A Cultura não pode ser compreendida, apenas, como um produto comercial, vendável, para a elite da sociedade e/ou oferecida tão somente aos mais abastados, que abrilhantam espaços públicos refinados, exibindo belas e caras roupas de grife. Devemos reivindicar e garantir que a Cultura, que é um direito fundamental, seja acessível a todo cidadão, independentemente da condição social. O acesso à cultura é um direito do cidadão e um dever do Estado, por isso, é obrigação dos gestores públicos cumprirem e fazerem cumprir toda e qualquer atividade que abrigue a Cultura, esteja ela (cultura) focada ou não.

Uma obra de saneamento e revitalização de bairros, por exemplo, não pode deixar de contemplar um viés onde a cultura esteja inserida no início, meio e fim. Senão, de que adianta tanto gasto de recursos públicos para enterrar canos, construir galerias para receber os esgotos, asfaltar ruas, construir postos de saúde, praças, quadras esportivas, centros comunitários, e sobre estes últimos sempre mal administrados onde a comunidade pouco tem acesso, se em pouco tempo tudo será destruído pelos próprios moradores?

Tenho inúmeros elementos para fazer esse comentário porque há mais de dez anos trabalho em comunidades aqui no Acre e em outros estados brasileiros, desenvolvendo projetos de mobilização social. Esses projetos contemplam três eixos prioritários, que geram uma ciranda de idéias, a partir da observação in loco e de conversas individuais com os comunitários, são eles: Cultura, Comunicação e Meio Ambiente.

Estas são ações que se coadunam e devem coexistir para que tenhamos uma sociedade consciente da sua breve passagem em vida pela terra e para que a sustentabilidade do Planeta não seja apenas retórica inútil. O povo quer participar e participa quando é convidado a dar opinião.

O prefeito de Rio Branco - AC, Raimundo Angelim, acreano, sensível aos problemas da cidade, deveria sugerir e cobrar com veemência que a equipe que o auxilia na administração municipal valorizasse mais o componente cultural como ferramenta essencial para o desenvolvimento de uma sociedade crítica, que se sinta parte co-responsável pela gestão pública.

A Cultura, a Conferência, a Administração Pública - Parte 2

É importante, ainda, que sejam destinados mais recursos para a disseminação e o fortalecimento de ações culturais que, certamente, mudarão pensamentos que induzem, única e exclusivamente, à idéia de que a prefeitura está aí apenas para fazer “obras”, remendar buracos e gastar os impostos que nós cidadãos recolhemos aos cofres públicos.

É preciso integrar a comunidade na gestão cultural. Devemos, para tanto, promover intervenções culturais por toda cidade, destacando os artistas populares dos bairros, as histórias de nossa gente, convocando as pessoas a se manifestarem artisticamente, a verem a flor escarlate do jambeiro, os tijolos das ruas, como parte da nossa cultura. São tantos talentos escondidos por aí...!!!

Desse modo, a Cultura não pode ser discutida apenas no âmbito da Fundação de Cultura do Município ou com meia dúzia de artistas intelectualizados que tiveram um pouco mais de oportunidades de acesso a bens culturais: à literatura, ao cinema, às artes em geral. A Cultura deve ser discutida por todos nós. Deve ser levada aos ribeirinhos, aos rurais, a toda gente. A cultura acreana é marcada pela oralidade, pelas histórias repassadas tradicionalmente de pais para filhos. Nós, acreanos, somos detentores de uma herança cultural diversa, assim como é biodiversa a natureza da nossa região. A cultura faz parte da “nossa natureza” humana.

Afora as críticas (pertinentes, até) de alguns artistas que consideram o Sistema Nacional de Cultura como sendo uma imposição, de cima para baixo, do Governo Federal; que o Esporte e o Turismo não devem fazer parte das discussões sobre Cultura; eu, particularmente (e nem sou funcionária pública), vejo como bastante salutares as discussões que antecedem a 1ª Conferência Municipal de Cultura - uma realização que merece o crédito da sociedade acreana e, mais que isso, que deve ser agendada como um compromisso relevante para os dias 26 e 27 de outubro, momentos nos quais, na plenária da Conferência, as discussões suscitadas nos seminários preparatórios devem ser referendadas pelos presentes.

A metodologia aplicada na Conferência, esta sim, pode e deve ser questionada caso não assegure a participação real da sociedade na definição de rumos para a Cultura local. No mais, é só permitir que as pessoas se expressem livremente e sintam-se parte do processo.

Para finalizar quero, então, chamar a atenção para alguns pontos que julgo fortalecer nossa identidade cultural, quais sejam: o ambiental; os diversos falares locais; a participação das associações comunitárias; a memória popular; a ocupação cultural dos espaços públicos; a comunicação; o controle social; as escolas de artes e ofícios, só para citar alguns. Isto porque, é importante termos em mente que um povo que não valoriza a própria cultura é como um peixe fora d’água, ou seja, não sobreviverá por muito tempo.

Nesse sentido, espero que avancemos um pouco mais nessa discussão e que o poder público e a população reconheçam na Cultura o caminho ideal para a construção da cidadania (cultural) plena.

Em breve, na Lua cheia, nos encontraremos na Conferência de Cultura onde discutiremos mais amiúde sobre o tema. Até lá. Sharacapá.

*Produtora cultural, ambientalista e pesquisadora
Foto: Cecé.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Esse ser desprezível, meu inimigo, o outro - Parte 1

Ozi Cordeiro*

E por falar em Sistema Municipal de Cultura, vou aproveitar meus vinte anos de Acre para falar da maior dificuldade que sinto, atualmente, em viver em Rio Branco, essa cidade que adotei aos vinte e dois anos para viver e pela qual nutro até hoje, o mesmo sentimento de bem-querer que tinha quando aqui cheguei nos idos de 1987.

São 3h18 da madrugada e pela enésima vez, fui acordada há uma hora atrás pelo som estrondeante do carro desses baderneiros que vagueiam pelas madrugadas da cidade (sim, Célia Pedrina, eu sei exatamente, tim-tim por tim-tim, o inferno que você suporta por morar nas imediações do famigerado Parque da Maternidade!)

Infelizmente, esse problema que enfrentamos por conviver com pessoas que desrespeitam acintosamente o direito dos outros não se restringe aos cidadãos considerados “mal-educados”, os “incultos”, esses que curtem os pagodes e Calypsos da vida. Não quero parecer intolerante com esse tipo de música e seus adeptos, mas por que eles nunca me acordam com um Tom Jobim no último volume?

Percebo, paulatinamente, conforme tenho acompanhado o debate em torno da I Conferência Municipal de Cultura e o processo de criação do Sistema Municipal, que esse problema de tratar o outro como algo desprezível, um ser indigno de respeito e consideração, também afeta a nós, as “cabeças pensantes”, os artistas, cidadãos de bem dessa cidade.

Caso contrário, o que justificaria a existência desses comentários maldosos que têm surgido a cada dia, nos blogs que divulgam as idéias em torno da cultura? Sempre que busco me informar sobre as opiniões, fico frustrada ao me ver obrigada a ler as palavras de anônimos que se sentem no direito de se esconder para tratar seus semelhantes de forma desprezível e covarde.

Segundo Schopenhauer, a pessoa que não se identifica ao publicar suas idéias é um “velhaco, diga seu nome! Pois atacar, encapuzado e disfarçado, as pessoas que passeiam mostrando seus rostos não é algo que um homem honrado faça: só os patifes e os canalhas agem assim...”. Riemer tem toda razão quando, em sua “Comunicação sobre Goethe, diz: “Um adversário que mostra sua cara abertamente é uma pessoa honrada, moderada, com a qual é possível se entender, chegar a um acordo, a uma reconciliação; em compensação, um adversário escondido é um patife covarde e infame, que não tem coragem de assumir seus julgamentos, portanto, alguém que não defende sua opinião, mas se interessa apenas pelo prazer secreto que sente em descarregar sua ira sem ser reconhecido nem sofrer retaliações”.

Esse ser desprezível, meu inimigo, o outro - Parte 2

Mas não são somente os anônimos que teimam em dialogar com o OUTRO de forma equivocada. Alguns cidadãos têm o prazer em se identificar, assinam sim (perdoem-me o excesso), aparentemente, numa busca em manter suas famas de “intelectuais”, os iluminados, que nasceram para pôr os pingos nos is e dar a palavra final nos considerados “grandes debates”.

Esses também usam de má-fé, quando dizem, por exemplo, que a FGB quer induzir a idéia de que estão propondo a desintegração da cultura com o esporte. A FGB não é um ser impessoal. É uma equipe formada por PESSOAS, profissionais das mais diversas áreas que têm se esforçado para cumprir com honestidade e competência, suas funções e feito um esforço gigantesco para a realização dessa tarefa que é gerir o parto de um Sistema Municipal de Cultura com o atraso de décadas (para não dizer milênios).

Não se está induzindo nenhuma idéia, eu pelo menos, abaixo assinada com toda coragem e orgulho que isso venha a significar, acredito que de nada adiantará criarmos áreas e aumentarmos a “visibilidade” desse ou daquele segmento, se nós, enquanto segmento, não tivermos aprofundado o debate em torno das nossas metas e prioridades com mais responsabilidade e clareza do que somos e do que queremos.

Essa história que bem ilustra o esforçado Marcos Vinícius, de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, só sai reforçada se ficarmos centrados na discussão em torno de um organograma.

Vamos permitir que o diálogo flua menos na base da discórdia. Teremos pouco tempo na conferência. Se continuarmos nos tratando na base da dicotomia EU/OUTRO, se não considerarmos o OUTRO como parte da relação de todo SER com seu UNO, perderemos mais essa oportunidade de avançarmos no processo.

Então, faço aqui um apelo a meus semelhantes, meus “companheiros de batalha”, como diz nossa querida Keilah. Enquanto teimarmos em tratar o outro como um ser indigno de respeito, estaremos apenas perpetuando a genial frase de Caetano: “É que narciso acha feio o que não é espelho”, contribuindo para que aumente a dificuldade em dialogarmos civilizadamente em torno da cultura de nossa amada Rio Branco.

*Arte-educadora e atriz

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O Vigor da Cultura

Por Adalberto Queiroz*

(Pense numa cultura vigorosa!)

Há muito tempo os intelectuais brasileiros lutam para o alcance de uma cultura de visibilidade, que reflita as nossas identidades.

Durante séculos, e não poderia ter sido diferente, São Paulo e Rio de Janeiro falaram por todo o país. Somente nos últimos seis anos abrem-se cortinas e ascendem-se luzes para outros cenários. Levantam-se outras vozes, ouvem-se outros recitais, outras expressões e outras sonoridades. Isso reflete o significado de uma nova cara da gestão de políticas públicas no Brasil.

Pois é: o tão propalado prenúncio da era de Aquárius nos remeteu ao reconhecimento das nossas fraquezas do passado e agora estamos impondo um estágio de vigor para Nossa Cultura. Não basta a diversidade da produção, pois o bom FAZER depende do TER e o ter depende do bom SER. Eis um tripé sobre o qual temos que nos debruçar em reflexão, para compreendermos a necessidade e o valor de uma perfeita sintonia com o Estado (gestão pública), Sociedade (povo) e suas diversas expressões.

Voltando ao FAZER, TER e SER, isso jamais pode se prender à materialização de qualquer projeto cultural. Antes, o artista tem que deixar de olhar para o seu próprio umbigo e lançar-se ao campo de interesse das causas coletivas, pois essa é a atitude que leva um artista a ser autêntico, posicionado, diante da realidade global.

É o que faz um SER com identidade própria. Isolado, preso à sua própria arte ou outra iniciativa, o produtor é fraco, incapaz de oferecer contribuições substanciais. Torna-se um parasita. Cai no vazio, no abismo do achismo.

Avante, companheiros! O lugar de artista ou fazedor de cultura que se preza é no meio dos movimentos. É lá que a gente tem a oportunidade de crescer, de dar um polimento na alma malvada, perversa que a torna eterna patinadora e na ladeira da vida, a tendência é retroceder ainda mais. Aproveite o momento em que se prepara a I Conferência Municipal de Cultura que vai acontecer nos dias 26 e 27 deste mês, no mínimo, para ouvir aos que participaram ativamente dos fóruns preparatório.

Aproveite para fazer despertar o espírito de cordialidade que há em você, neste momento de construção, mesmo opinando, discordando e sendo a favor. Em suma, nós somos o Município de Rio Branco, a autêntica manifestação da voz de sua cultura, que nos convidamos para um encontro, cheio de energias positivas, em favor de uma CULTURA BEM VIGOROSA!

*Atuante no Audiovisual

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Cultura: Como um jogo. Como a vida

Ou: Você já deu a sua opinião?

Um Rei. Uma Dama ou uma Rainha. Dois Bispos. Dois Cavalos. Duas Torres. Oito Peões. As peças alinhadas em cima do tabuleiro. O jogo que está prestes a começar é de estratégia, não de sorte. Aqui tem regras. É preciso definir a tática que será usada e fazer a primeira jogada.

O processo descrito parece até obscuro. Mas se trata apenas de um jogo de xadrez. Muitos dizem que a vida é que nem um jogo como esse, caracterizado pela sua complexidade. É preciso ter uma estratégia e analisar bem os passos do antagonista. Concentração e atenção são fundamentais. Qualquer escolha pode ser decisiva.

Diante do processo de construção de políticas públicas para a cultura, cada área cultural e os seus respectivos segmentos precisam se organizar e ter clareza dos problemas que enfrentam e de onde querem chegar. É importante estudar as propostas, refletir sobre os mecanismos de administração cultural que estão em pauta, analisar o seu formato, tomar e defender uma posição.

O blog Cultura.RB recebe e publica artigos produzidos pela sociedade civil. Não há tema proibido nem espaço para maledicência. O canal está aberto para que sejam feitas as observações e para que cada um defenda o seu ponto de vista. É preciso manter a discussão, pois.

Durante a última semana, o blog publicou textos de Ana Lúcia (historiadora e atuante no turismo) e de João Veras (Membro titular do Conselho Estadual de Cultura do Acre). Outros já tinham enviado sua opinião anteriormente, como Eudmar Bastos (artista, acadêmico do curso de história e Diretor Executivo da Ong Cernegro), Zé Leite (professor de Educação Física e acadêmico de Jornalismo da Ufac) e Dalmir Ferreira (artista plástico e presidente do Conselho Estadual de Cultura).

Portanto, o debate ainda está de pé. Todos podem e devem expor as suas opiniões e fazer a reflexão que achar importante para incrementar e melhorar a discussão. Neste jogo, não haverá um derrotado nem um vencedor. Quem participa e interage já é vitorioso.

Falando nisso... O Sistema Municipal de Cultura deve abranger ou não o Esporte e o Lazer? Turismo é Patrimônio ou área Cultural? Qual o formato de Conselho de Cultura mais adequado para o município? Como será distribuído o Fundo Municipal de Cultura? Quem vai fazer parte do Cadastro Cultural? Aliás, o que é mesmo cultura e qual a melhor forma de administrá-la?

Agenda

A I Conferência Municipal de Cultura de Rio Branco acontece nos dias 26 e 27 de outubro, a partir das 8horas, no auditório da Secretaria Estadual de Educação. Participe! Mais informações: 32242503/32240269.

Envie o seu texto para: fundacaogaribaldibrasil@gmail.com

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Sistema Municipal de Cultura, Esporte e Lazer e Turismo?!* Parte 1

Por João Veras**

A realização da I Conferência Municipal de Cultura se aproxima. Nela será aprovada a redação de uma proposta de lei, a ser encaminhada aos poderes executivo e legislativo municipais, com vistas ao estabelecimento do Sistema Municipal de Cultura-SMC, este que será o marco jurídico para a área cultural no âmbito da cidade de Rio Branco.

O SMC integra o Sistema Nacional de Cultura que inclui, ainda, os sistemas federal e estaduais de cultura. O Município de Rio Branco firmou, em 2005, com o Ministério da Cultura-Minc, um Protocolo de Intenções, pelo qual se comprometeu em criar o seu sistema. É nesse contexto que a Fundação Garibaldi Brasil-FGB formulou uma proposta de formato legal e colocou para a apreciação crítica da sociedade.

Entre outras polêmicas contidas na referida proposta, tem chamado atenção a questão da inclusão do esporte e lazer no SMC. Tenho manifestado oposição a essa idéia.

O intento da minha discórdia, não significa, como querem induzir, propor a desintegração (do que, a rigor, ainda nem se integrou) da cultura com o esporte, tampouco a crença na impossibilidade da convivência ou de um divisionismo opaco.

Não se discute, nem se nega o fato de que o esporte é uma manifestação cultural. Reforçar a idéia de sistema de cultura e sistema de esporte distintos, não quer dizer a exclusão do esporte do campo conceitual da cultura, na sua forma mais ampla.

Não se trata de se colocar em oposição esporte e cultura. O que se pretende é que ambos tenham a sua autonomia no campo da gestão pública e que os seus envolvidos diretos possam manifestar-se nas suas respectivas arenas de complexidades próprias.

Todavia, ao incluir no SMC o esporte e lazer e o turismo (este último como uma possibilidade aventada) a FGB fere o compromisso firmado com o Minc, na medida em que desconfigura a lógica institucional do SNC.

A administração pública municipal, com tal idéia, não segue, também, a lógica das administrações públicas federal e estadual, estas que mantém mecanismos de gestão distintos para a formulação e execução de suas políticas públicas de cultura, esporte e lazer e turismo. No plano federal, por exemplo, a gestão das políticas de cultura, de esporte e lazer e de turismo, é da competência de seus respectivos ministérios. Reconhecer o direito a ter uma pasta própria e um orçamento próprio, no executivo, é, no mínimo, manifesto de respeito do gestor público frente às demandas sociais específicas da cultura, do esporte e lazer e do turismo.

A Constituição Federal, a Estadual e a Lei Orgânica do Município de Rio Branco dão um tratamento distinto, em seções separadas, à cultura, ao esporte e lazer e ao turismo. O mesmo acontece quanto às leis federais. Não há confusão. A lei Rouanet, que instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura, não prevê financiamento para o esporte e lazer e o turismo... A Lei Pelé - que cria o Sistema Nacional de Desporto-SND - não dispõe sobre financiamento à cultura, nem esta integra os seus conselhos, seus órgãos gestores, seus mecanismos legais de financiamento. A lógica da legislação obedece a natureza da distinção do objeto das demandas públicas.

SMC - Esporte e Lazer e Turismo?! Parte 2

O I Fórum Municipal de Cultura, realizado, ainda em 2005, pela FGB, no qual se realizou um diagnóstico das necessidades culturais e desportivas no município, registrou o desejo dos desportistas: ter o seu sistema de esporte próprio, conforme se pode vê do Caderno do Fórum editado pela FGB. Não levar em consideração, neste momento, o diagnóstico é o mesmo que tornar aquele evento inócuo.

O organograma do órgão gestor pode até aceitar a convivência de áreas distintas. O que, aliás, acontece na própria FGB, onde o esporte está confinado a um Departamento. A dificuldade, todavia, será manter uma relação conjunta nos órgãos colegiados, nos mecanismos legais de financiamento, nas conferências, nos planos em que as demandas e suas formas de lidar são flagrantemente dessemelhantes. Nesse sentido, na proposta da FGB de Conselho Municipal de Cultura, dos 7 membros do Conselho Executivo, penas 1 conselheiro da sociedade civil representa o esporte e lazer. E será ele quem encaminhará, defenderá e, muito provavelmente, votará sozinho a favor dos projetos da base esportiva do município. Invertendo, não seria legítimo ter, no universo de 7 conselheiros, 6 conselheiros desportistas decidindo sobre política públicas para as artes para o patrimônio...

Veja que o esporte e lazer, na condição de departamento das secretarias e fundações de Cultura, só tem a perder em visibilidade. Pode-se observar tal fenômeno negativo para o esporte na própria denominação do sistema, do conselho, dos mecanismos de financiamento... Pelos nomes, tudo é da cultura. Não se duvide que a partilha orçamentária não sofra influência desse quadro de invisibilidade do esporte.

Política pública de cultura é distinta de política pública de esporte e lazer e de turismo. Querer integrar, num só sistema, naturezas tão diversas e complexas, seria partir para uma simplificação inaceitável das causas da cultura, do esporte e lazer e do turismo.

De outro modo, não é de se aceitar a cultura perder, junto aos orçamentos de gestão e aos mecanismos de financiamento públicos culturais, metade de seu quinhão, em razão de que o esporte ainda não conseguiu se desgarrar do arcabouço jurídico e institucional destinado à cultura, tendo, ele, o esporte, a seu favor, toda uma legislação federal de direitos e um campo fértil local a ser construído (com luta, ora!). Enquanto o bolsa-atleta já é uma realidade legal (Lei 10.891/04), o bolsa-artista não passa de uma piada.

Historicamente, é verdade, o esporte tem sido, no Acre, conduzido pela carona da legislação da cultura (veja as leis de incentivos fiscais). Hoje, porém, o esporte não precisa mais ser levado pela cultura, pois já tem a sua própria legislação (a qual estabelece, inclusive, um sistema nacional próprio de conselhos e financiamentos). Insistir em manter o esporte sob o manto e dependência da cultura não é um bom serviço à cidadania esportiva que precisa avançar na sua independência e autonomia, não só enquanto manifestação cultural, mas enquanto merecedora de um contexto legal e institucional que seja favorável à consecução de suas políticas públicas.

Manter um amontoado como integração é insistir numa acomodação institucional equivocada, o que já se descobriu não ser o melhor caminho para as soluções das respectivas políticas públicas no Brasil - daí o SNC e o SND, tampouco para o avanço das cidadanias cultural e esportiva.


*Publicado no Jornal O Rio Branco deste domingo (07.10.07)
**Membro titular do Conselho Estadual de Cultura do Acre.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Espaço aberto: a cultura não tem limite

Ou: Sabia que você também é artista?

Quando o seu dia começa? Quando você acorda e põe os pés no chão? Quando sente o cheirinho de café ou quando ouve a reclamação do filho que não quer ir à escola? Quando abre o jornal do dia e vê que tudo continua quase do mesmo jeito que nem ontem? E então você sai de casa e dá continuidade a sua vida e aos seus afazeres. Por mais uma vez, entre as tantas e tantas e tantas, você segue o seu ritual diário, com seus costumes, manias, crenças e tradições...

Por acaso, no meio do caminho, você ouve falar numa tal ‘Conferência de Cultura’. Vê algum cartaz por aí, recebe alguma ‘filipeta’, lê alguma notícia sobre o assunto... Mas nem se importa tanto. Afinal, cultura é coisa pra artista, e discutir política – seja lá pra qual rumo for – é, normalmente, meio chato (este ‘meio’, é mero eufemismo).

E aqui se encontra uma das principais barreiras para se falar em ‘gestão participativa’ e representatividade. Porque participar não é apenas assinar a lista de presença de algum fórum, emitir alguma opinião ou levantar o braço para ser contado como voto. É isso também. Mas além disso, é ter a vontade de intervir, de se envolver, é tomar o processo para si, sentir-se dono dele, e assim, ser também responsável pela construção das políticas públicas e pelos seus resultados.

Afinal, a cultura não é apenas uma seqüência fragmentada de manifestações artísticas, populares, eruditas ou esportivas, ela é também conhecimento, percepção, crítica e, a vida rotineira – ou não – de cada um.

A cultura está nas surpresas e nas normalidades do nosso dia-a-dia. Onde cada um é autor e personagem da sua história; jogador, juiz e técnico das batalhas cotidianas; agente dos costumes herdados desde os tataravôs e um guia da ciência que trás em si.

Cada um deve participar, fazer uso do seu direito à voz e transformar em dever, o seu voto. É exercício – nem fácil e nem difícil, apenas novo – aceitar como culturais aspectos nunca antes levantados por uma gestão pública da cultura. E deixar ser criado o sentimento de pertencimento e coletividade, onde o espaço para a defesa da representação de cada um é apenas conseqüência de um processo embasado no diálogo entre os setores, na transparência e na participação pública.

Agenda

A I Conferência Municipal de Cultura de Rio Branco acontece nos dias 26 e 27 de outubro, a partir das 8horas, no auditório da Secretaria Estadual de Educação. Participe! Mais informações: 32242503 / 32240269.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Interação: Turismo e Cultura

Ana Lúcia*

A 1ª Conferencia Municipal de Cultura tem sido muito proveitosa no sentido de participação dos vários segmentos da Cultura, além de ter dado a oportunidade de se iniciar uma discussão inédita: o turismo se interagindo com a cultura. As discussões acaloradas nos fizeram refletir que ainda precisamos estreitar os laços de interatividade.

Nunca se discutiu como cada atividade pode complementar a outra sem ultrapassar barreiras inerentes de cada segmento. A preocupação é que não sejamos apenas mais um, sempre valorizando o diferente que temos. Por isso a preservação da nossa cultura original é de fundamental importância, pois assim conseguiremos manter a atratividade do nosso Produto Turístico.

O Turismo praticado no Acre tem o seu diferencial na cultura e história acreana, nas singularidades de cada atrativo, onde aos poucos se torna produto turístico, valorizando e difundindo o artista e sua obra.

Sendo Rio Branco o “portão” de entrada para as Rotas Turísticas, precisamos buscar uma política para o desenvolvimento dessa atividade, onde consigo traga o fomento da cultura, maior produto turístico do município. Onde cada atividade cultural tenha em si o mercado turístico como foco.

Creio que quando falo em mercado turístico, muitos pensam em “grigos”, pessoas que nos visitam na curiosidade de saber mais sobre Chico Mendes, os rituais do Santo Daime, etc... No entanto precisamos também ter os olhos voltados para o interno, o que a nossa sociedade sabe da nossa história, dos nossos monumentos, dos nossos artistas e suas produções? Quais os benefícios que os artistas e desportistas já tiveram de um circuito turístico?

Essas são algumas reflexões que podemos fazer para concretizar a atividade turística no município de Rio Branco e também valorizar mais os nossos produtores culturais.

Cultura e seus desdobramentos constituem insumos básicos do Turismo Cultural. Pintura, escultura, teatro, dança, música, gastronomia, artesanato, literatura, arquitetura, história, festas, folclore, entre outros, formam uma combinação que permite a vivência da diversidade cultural.

Quanto maior a diversidade de opções e atividades, maiores serão as possibilidades de se criar produtos diferenciados. Além de estimular a permanência do turista no destino por um período de tempo maior.

Por isso os profissionais do Turismo estão tentando sensibilizar a classe artística e desportiva da necessidade da inserção do turismo no cadastro cultural e da criação de uma área fora do Patrimônio Cultural, pois temos a consciência que poderemos ajudar muito mais quando tivermos nossas discussões com todas as áreas: cultura, patrimônio e desporto.

*Historiadora e atuante no Turismo

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Mudança de data

A I Conferência Municipal de Cultura de Rio Branco acontecerá nos dias 26 e 27 de outubro, no Auditório da Secretaria Estadual de Educação, a partir das 8horas.

A mudança da data aconteceu em virtude da agenda do Governo Federal e pela inadequação do local disponível para a data anterior - 5 e 6 de outubro.

Em breve, será divulgada a programação completa.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Voto de Minerva

Orestes, filho de Clitemnestra, foi acusado pelo assassinato da mãe. No julgamento, houve empate entre os acusados. Coube à deusa Minerva o voto decisivo, a favor do réu. “Voto de Minerva” é, portanto, o voto decisivo.


(A fascinante origem das Frases Populares, Garamond - 2006)